Grã-Bretanha e França alcançam acordo de testes nucleares

David Cameron e Nicolas Sarkozy assinaram nesta terça-feira dois pactos de cooperação em Defesa de abrangência sem precedentes

iG São Paulo |

França e Grã-Bretanha assinaram nesta terça-feira acordos de cooperação em matéria de Defesa de uma abrangência sem precedentes, incluindo o teste de ogivas nucleares. Um centro será estabelecido no Reino Unido para desenvolver tecnologia de testes atômicos e outro será localizado na França para realizá-los.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi cumprimentado pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, ao chegar para o encontro bilateral, em que também foram detalhados planos para uma força expedicionária conjunta e o uso compartilhado de porta-aviões.

AP
Presidente francês, Nicolas Sarkozy (à dir.), conversa com o premiê britânico, David Cameron, ao chegar para encontro em Londres
O encontro acontece duas semanas depois de o governo britânico ter anunciado o corte de suas Forças Armadas, na primeira revisão de defesa estratégica desde 1998, como parte de economias com o objetivo de reduzir o déficit orçamentário do país. Sob os planos, 750 milhões de libras serão poupadas durante quatro anos no sistema de míssil nuclear Trident com o corte no número de ogivas.

Segundo um funcionário britâncio, os dois países poderão seguir como atores militares de dimensão internacional, mas adaptados a uma era de rigor orçamentário. Londres e Paris "conservarão o direito de deslocar suas forças armadas de forma independente", disse o responsável.

O primeiro tratado inclui a criação de "uma força expedicionária conjunta" de entre 3,5 mil e 5 mil homens, que deverá iniciar seu treinamento no próximo ano. Essa nova força não será permanente e ficará encarregada de operações específicas, sob comando único.

"Anunciaremos o que chamamos de força expedicionária conjunta, e não uma força militar permanente. É uma conjunção das Forças Armadas dos dois países que treinam e atuam juntas", disse o funcionário britânico. O tratado prevê que os dois países compartilharão seus porta-aviões a partir de 2020. A manutenção do novo avião de transporte A400M também será dividida.

Um segundo acordo estipula que os dois países poderão compartilhar sua tecnologia em matéria de testes nucleares em laboratório. O uso compartilhado de alguns meios não afetará a independência das Forças Armadas dos dois países, garantiu o funcionário.

Ao anunciar nesta segunda-feira os acordos aos deputados, Cameron tratou de tranquilizar os "eurocéticos" de seu Partido Conservador, que temem um abandono de prerrogativas em benefício da União Europeia (UE). O premiê garantiu que o acordo com a França é fruto dos mesmos princípios adotados nas discussões sobre o orçamento e as reformas institucionais da União Europeia. "O princípio é o mesmo. Associação sim, mas sem perder a soberania."

No domingo, o ministro da Defesa Liam Fox justificou a aproximação com a necessidade de fazer uma "economia importante" em época de austeridade orçamentária, mas garantiu que se trata de algo puramente bilateral, descartando o início de um "Exército europeu que não queremos".

*Com BBC e AFP

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