Grã-Bretanha denuncia a recontagem de votos no Zimbábue

O governo britânico declarou nesta segunda-feira que não se pode confiar na atual recontagem parcial dos votos da eleições presidencial do Zimbábue e acusou o presidente Robert Mugabe de tentar roubar a vitória da oposição.

AFP |

"Ninguém pode confiar nessa recontagem", afirmou o ministro das Relações Exteriores, David Miliband. "As urnas foram vigiadas em condições incertas. A recontagem transcorre em ritmo ridiculamente incerto", acrescentou.

Três semanas depois das eleições de 29 de março, uma nova recontagem parcial dos votos teve início do sábado, o que poderá mudar a configuração do Parlamento em detrimento do governo do presidente Robert Mugabe, acusado pela Human Rights Watch de torturar opositores.

Esta nova recontagem ocorre enquanto a tensão aumenta, causando temores de uma explosão de violência neste país que vive em plena estagnação econômica, e onde a hiperinflação se aproxima dos 165.000% anuais.

A organização de defesa dos Direitos Humanos Human Rights Watch (HRW) denunciou neste sábado a existência de "campos de tortura", onde o partido no poder comete abusos contra simpatizantes da oposição.

"A tortura e a violência crescem no Zimbábue", lamentou a HWR, que pediu à União Africana que "intervenha imediatamente (...) para proteger civis e pôr fim à estagnação política".

A nova recontagem é realizada em 23 das 210 circunscrições do país africano, que há três semanas foi às urnas para eleger seu presidente, deputados, senadores e conselhos municipais e começou com uma hora de atraso em relação ao horário previsto -08h00 locais (03h00 de Brasília)- em pelo menos duas das 23 circunscrições, segundo jornalistas da AFP.

A União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF), partido do atual presidente Robert Mugabe, no poder há 28 anos, perdeu oficialmente as eleições legislativas.

O procedimento - decidido após denúncias de irregularidades - poderá permitir aos governistas a recuperação sua maioria na Câmara dos Deputados, onde o Zanu-PF obteve apenas 97 assentos contra os 109 obtidos pelo Movimento para a Mudança Democrática (MCD), principal partido da oposição.

Quanto à eleição presidencial - para a qual se candidataram Mugabe, concorrendo a um sexto mandato, e o líder do MCD, Morgan Tsvangirai- seu resultado ainda não foi divulgado oficialmente.

O MCD denunciou a recontagem como uma tentativa do governo para recuperar de maneira fraudulenta o controle do Parlamento.

No domingo, o secretário-geral do MDC, Tendai Biti, denunciou que dez pessoas foram mortas e 400 foram detidas depois das eleições gerais.

"Dez pessoas foram mortas no Zimbábue desde 29 de março. A situação é desesperadora", declarou Biti em uma entrevista coletiva à imprensa.

"Três mil famílias deixaram suas casas. Cerca de 400 militantes da oposição foram detidos. Pelo menos 500 pessoas hospitalizadas", acrescentou.

De acordo com Biti, várias casas foram incendiadas e muitos moradores fugiram.

ade/cn

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