Grã-Bretanha convoca embaixador de Israel para explicações sobre caso Hamas

O Ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha convocou o embaixador de Israel em Londres, Ron Prosor, para obter informações sobre a morte de um líder do Hamas em Dubai. O governo quer explicações sobre o uso de passsaportes britânicos falsificados pelos suspeitos de assassinar Mahmoud al-Mabhouh, em 19 de janeiro.

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Integrantes do Hamas mostram cartaz com o líder morto

Integrantes do Hamas carregam cartaz com imagem de líder morto


Prosor deve comparecer ao ministério nesta quinta-feira. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, ordenou a abertura de uma investigação para apurar o caso. Nesta semana, a polícia de Dubai divulgou a lista das 11 pessoas que teriam participado do assassinato.

Dentre elas, estão seis cidadãos britânicos e um alemão que vivem em Israel e negam qualquer participação no crime. Os outros quatro nomes teriam sido inventados pelos suspeitos. Dubai diz acreditar que 11 "agentes com passaportes europeus" foram responsáveis pelo ataque.

O assassinato gerou um princípio de crise diplomática entre Israel e Grã-Bretanha. Autoridades britânicas questionam qual a participação de Israel no episódio, uma vez que o grupo Hamas acusa o serviço secreto israelense Mossad de ser autor do assassinato. O governo britânico quer saber também como os assassinos conseguiram os passaportes de seus cidadãos.

Horas antes de Brown ordenar a abertura da investigação, nesta quarta-feira, o parlamentar Sir Menzies Campbell, do Partido Liberal Democrata, disse que Israel deve se pronunciar sobre as acusações de que o Mossad estaria envolvido no crime.

"Se o governo de Israel teve participação num episódio como esse, isso seria uma séria violação da confiança entre as duas nações", disse à BBC. Hugo Swire, líder do conselho para o Oriente Médio do partido conservador, disse querer uma "investigação completa".

"Eu esperaria que o governo britânico estivesse olhando para isso e exigindo que os serviços de inteligência (em Israel e em Dubai) informassem quais provas eles têm", declarou.

Mas o ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, disse a uma rádio local que não há provas contra seu país . "Não há razão para pensar que foi o Mossad, e não algum outro serviço de inteligência ou algum outro país que esteja por trás do episódio", declarou.

Rafi Eitan, um ex-membro do Mossad, negou envolvimento da organização no caso. "O Mossad não está por trás do assassinato de Mahmoud el- Mabhouh. Isso é um ato de alguma organização estrangeira querendo incriminar Israel", disse.

No meio da polêmica estão sete pessoas que juram inocência e dizem não saber como seus nomes foram aparecer no noticiário internacional. "Fui dormir com pneumonia e acordei assassino", disse Melvyn Mildiner, um dos acusados, ao diário Jerusalem Post.

Inocentes envolvidos

A polícia de Dubai já emitiu por meio da Interpol um mandado de prisão contra os 11 suspeitos de participar do crime. O grupo é composto por seis britânicos, um alemão, três irlandeses e um francês. Os quatro últimos seriam nomes falsos, mas os sete primeiros são pessoas reais.

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Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

Imagens identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

Os seis britânicos e o alemão erradicados em Israel cujos nomes aparecem nos passaportes são: Jonathan Lewis Graham, James Leonard Clarke, Paul John Keeley, Michael Lawrence Barney, Melvyn Adam Mildiner, Stephen Daniel Hodes e Michael Bodenheimer. Todos afirmam que têm em mãos seus passaportes verdadeiros e negam envolvimento com qualquer crime.

Keeley, cidadão britânico que se mudou para Israel há 15 anos e mora no kibutz (comunidade agrícola) Nahsholim, afirmou que vem se sentindo "como um zumbi" desde que descobriu seu nome na lista de suspeitos.

"Como uma coisa dessas pode acontecer? Sou um simples mecânico, o que querem de mim? As pessoas riem, mas eu não estou achando essa história engraçada", disse à imprensa local.

Outro envolvido, Mildiner, um consultor de informática de 31 anos, garantiu que nunca esteve em Dubai. "Alguém em algum lugar decidiu usar minha identidade para alguma coisa", declarou.

Já Barney, que aos 54 anos carrega um marcapasso no peito, não se considera o tipo ideal para atividades de espionagem. Para o advogado Dan Hai, especialista em preservação da privacidade, os sete estão em uma situação "problemática".

"Eles não têm a quem processar pela invasão da privacidade deles, pois não se sabe quem é o responsável", afirmou o advogado em entrevista à rádio estatal israelense Kol Israel.

O deputado Israel Hasson, ex-vice diretor do Shin Bet (serviço de inteligência interna), afirmou que as autoridades israelenses devem investigar como as identidades dessas pessoas foram roubadas. "O roubo de identidade é crime", afirmou Hasson à Kol Israel. "A situação que se criou é muito preocupante", completou.

Hasson tambem mencionou a possibilidade de que uma "organização estrangeira" tenha roubado a identidade de isralenses "especialmente para incriminar o Mossad".

Ação profissional

O líder do Hamas foi morto em um quarto de hotel em Dubai. A polícia de Dubai divulgou imagens do circuito interno de TV do hotel que mostram os suspeitos disfarçados de turistas, usando perucas e barbas falsas.

Segundo as autoridades, o trabalho "foi executado por um time profissional, altamente habilitado para esse tipo de operação".

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