Grã-Bretanha confirma expulsão de diplomata israelense

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, David Miliband, disse nesta terça-feira que o país decidiu expulsar um diplomata israelense devido à falsificação de passaportes britânicos no incidente que resultou no assassinato de um comandante do grupo palestino Hamas em um hotel em Dubai em janeiro. Levando em conta que esta foi uma operação muito sofisticada, na qual falsificações de qualidade foram feitas, o governo considera altamente provável que as cópias tenham sido produzidas por agências de inteligência, disse Miliband ao Parlamento britânico.

BBC Brasil |

"Existem fortes razões para acreditarmos que Israel foi responsável pelo uso indevido de passaportes britânicos. O governo lida com esses assuntos com extrema seriedade", disse ele.

"Este uso indevido é intolerável", completou, sem revelar qual será o diplomata expulso.

O embaixador israelense para a Grã-Bretanha, Ron Prosor, disse que a relação entre os dois países "é de importância vital, por isso estamos desapontados com a decisão britânica".

França
Israel não negou ou confirmou seu envolvimento, afirmando apenas que não há provas de que agentes do Mossad, o serviço secreto israelense, estejam por trás do assassinato.

Doze passaportes falsos da Grã-Bretanha foram usados pelos assassinos de Mahmoud Al-Mabhouh, um dos fundadores do braço armado do Hamas, grupo palestino que controla a Faixa de Gaza.

Também nesta terça-feira, a França anunciou que investiga o uso de passaportes franceses falsos na operação.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou veementemente o assassinato de Mahmoud Al-Mabhuh, sem acusar diretamente Israel de envolvimento.

A polícia de Dubai divulgou imagens mostrando uma equipe de 27 pessoas suspeitas do assassinado, ocorrido no hotel Bustan, em Dubai, no dia 19 de janeiro.

Promessa
Se for verdade que o Mossad é responsável pelo crime e que usou passaportes falsos britânicos para cometê-lo, isso significaria a quebra de uma promessa feita nos anos 1980.

Em 1987, os israelenses prometeram nunca mais usar passaportes britânicos para suas missões. A promessa veio depois da revelação de que oito passaportes da Grã-Bretanha haviam sido encontrados em uma bolsa na Alemanha Ocidental. A princípio, os documentos seriam entregues a agentes do Mossad.

Após ouvir os questionamentos ingleses, o então embaixador israelense no país, Yehuda Avner, garantiu que isso não voltaria a acontecer.

"Se for descoberto que a garantia dada foi quebrada, a reação diplomática britânica será muito mais severa", afirma o analista da BBC para assuntos internacionais Paul Reynolds.

Para Reynolds, por mais que a tensão diplomática aumente, "nem a Grã-Bretanha nem Israel vão querer elevar isso até uma crise em grande escala".

Segundo ele, os dois países têm interesses comuns, em especial no combate à ameaça terrorista islâmica, que requerem cooperação.

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