Governos europeus não adotam medidas para integrar os 10 milhões de ciganos

Alicia García de Francisco Redação Central, 7 abr (EFE).- Os Governos europeus têm conhecimento dos problemas dos ciganos, mas não adotam medidas para integrar esta minoria formada por mais de dez milhões de pessoas que sofrem ataques violentos, são impedidos de imigrar e, sobretudo, são vítimas de preconceitos por parte do resto da população.

EFE |

Amanhã é o Dia Internacional dos Ciganos e, apesar de os Governos europeus terem "tomado consciência" da precária situação na qual a maior minoria étnica da Europa vive, poucos foram os passos dados para melhorar suas condições de vidas, afirmou hoje à Agência Efe o responsável da Divisão de Ciganos do Conselho de Europa, Michael Guet.

"Foram registradas algumas melhorias nos últimos dez anos", disse, exemplificando com o fato de haver uma melhor representação dos ciganos em estruturas políticas, "mas é só o primeiro passo" e resta muito a fazer em educação, acesso ao mercado de trabalho, liberdade de deslocamento e inclusão social.

Há "grandes problemas, principalmente devido aos preconceitos contra os ciganos", razão pela qual o Conselho da Europa iniciou em 2006 uma campanha para tentar combater a questão.

A proposta, chamada Dosta, inclui formação de jornalistas, concursos em escolas e programas de sensibilização tanto da população quanto das autoridades locais.

É uma iniciativa que já funciona na região dos Bálcãs e que este ano será ampliada para Ucrânia, Moldávia, Itália e, possivelmente, Romênia.

Estudos recentes citados pela Comissão Européia (CE) assinalam por exemplo que 79% dos tchecos não gostariam de ter ciganos como vizinhos, enquanto na Alemanha o percentual é de 68%.

"O tratamento dos ciganos é, atualmente, um dos problemas políticos, sociais e de direitos humanos mais urgentes os quais a Europa enfrenta", acrescenta a CE.

Há pouco mais de um ano, o comissário europeu de Emprego e Assuntos Sociais, Vladimir Spidla, afirmou que a situação dos ciganos era "inaceitável do ponto de vista ético, social e humano" e a qualificou de "ameaça para a coesão social na Europa".

Apesar disso, pouco mudou desde então.

No dia 31 de janeiro deste ano, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução na qual defendia "erradicar" a favelização como forma de propiciar a integração social da minoria cigana.

O texto afirma que, neste tipo de assentamentos, "não existem normas de higiene nem médicas de qualquer tipo" e indica que "um grande número de crianças ciganas morrem em acidentes domésticos, em particular, incêndios".

Além disso, denuncia a exclusão que a população cigana sofre nos sistemas educacionais e médicos de alguns países da União Européia (UE).

E, embora a situação seja especialmente ruim no Leste Europeu, onde se concentra a maioria da população cigana do bloco, os problemas se repetem na maioria dos países onde vivem membros desta etnia.

Os ciganos se concentram principalmente na Romênia (com 1,8 milhão de pessoas desta etnia) e Bulgária (800 mil), mas há grandes povoações em Espanha (cerca de 650 mil), Hungria (600 mil), Sérvia (600 mil), Eslováquia (420 mil), França (400 mil) e Reino Unido (300 mil), segundo estimativas do Conselho da Europa.

E os preconceitos da população européia contra os ciganos são uma das razões pelas quais estas pessoas encontram grandes empecilhos na hora de viajar a outro país.

A situação é particularmente delicada na Itália, onde há alguns meses 39 ciganos romenos foram expulsos por motivos de segurança; na França, onde os obstáculos administrativos impossibilitam que possam conseguir uma permissão de estadia nos três meses determinados pela lei; e no Kosovo, de onde são reenviados para Sérvia ou Macedônia.

Por essa razão, o Conselho da Europa vai elaborar um relatório este ano para ter "uma visão de conjunto das migrações de ciganos e de por que há tantos obstáculos em nível europeu" para sua movimentação, afirmou Guet.

Também é preocupante o aumento dos movimentos violentos contra os ciganos por parte de grupos neofascistas, situação que ocorre tanto no leste como no oeste da Europa.

Soma-se a isso as expulsões de ciganos de países da Europa - apesar de que muitos deles procedem de Estados-membros da União Européia -, que são realizadas, em algumas ocasiões, com violência policial, à noite e quando a temperatura ambiente é menor que 10 graus Celsius abaixo de zero, disse o especialista.

Segundo relatório do Banco Mundial (BM), em alguns casos os ciganos são até dez vezes mais pobres que o resto da população européia; sua expectativa de vida é entre 10 e 15 anos menor que a média e sofrem altos níveis de discriminação nos setores de educação, trabalho, casa e saúde.

Apesar de os países terem se comprometido com reformas, "é preciso admitir que levará muito tempo para conseguir apoio popular entre as maiorias das povoações", afirma o BM. EFE agf/db

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