Governos da A. Latina combatem falta de informação sobre aids

Nações Unidas, 10 jun (EFE).- Os Governos de América Latina e Caribe defenderam hoje na ONU o aumento do investimento em educação sobre a aids para combater a perigosa falta de informação de boa parte de sua população sobre a natureza dessa epidemia.

EFE |

A falta de informação correta representa o grande desafio para evitar o aumento dos casos de infecções com o vírus da imunodeficiência humana (HIV), advertiu o secretário de Saúde do México, José Ángel Córdova Villalobos, na sessão especial sobre a Aids que começou hoje na Assembléia Geral das Nações Unidas.

O encontro reúne hoje e amanhã sete chefes de Estado e de Governo, 62 ministros e representantes de ONGs para avaliar o progresso na luta contra a epidemia.

Córdova, que tomou a palavra em nome dos 21 países do Grupo do Rio, afirmou que 40% dos homens jovens e 36% das mulheres jovens da região têm "um conhecimento claro e preciso do HIV".

Esse número "deve ser uma advertência e um guia para o trabalho de prevenção" que permita atingir em 2010 a meta de que 95% dos jovens contem com informação "precisa e baseada na ciência".

"A educação sobre a aids e a prevenção são as melhores estratégias para reduzir os casos, e devem ser integrais, baseadas na ciência e dirigidas a grupos vulneráveis", avaliou.

Lamentou que "em muitas ocasiões, o estigma, a discriminação e a homofobia impediram uma discussão aberta sobre este tema, o que levou à criação de uma cultura de segredos e silêncios que solapam as políticas de prevenção".

O secretário de Saúde mexicano destacou que os dois milhões de pessoas com HIV na América Latina e no Caribe constituem a população infectada que tem um maior grau de acesso a tratamento de todas as regiões do mundo em desenvolvimento.

"A proporção da população infectada na América Latina permanece estável, mas continua crescendo no Caribe", apontou.

Considerou que os avanços conseguidos na distribuição de tratamentos na região tornam tangível o compromisso assumido pela Assembléia Geral da ONU em 2001 e 2006 de universalizar o acesso aos remédios anti-retrovirais.

Nesse sentido, o presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, destacou o esforço orçamentário e político para diminuir a aparição de novos casos e reduzir as 86 mil mortes causadas pela aids na região.

"Muitos dos países de nossa região já deram grandes passos, apesar de a América Latina e o Caribe somente receber 8% de toda a ajuda mundial para enfrentar esta epidemia", declarou o governante, que foi o primeiro orador da sessão.

Saca enfatizou que El Salvador conseguiu reduzir nesta década em 35% o número de mortes de doentes de aids e em 50% a incidência de tuberculose, enquanto os programas de prevenção fizeram com que os casos de aids infantil caíssem 89% nos últimos cinco anos.

O presidente salvadorenho lembrou que a aids não conhece fronteiras, por isso considerou "inaceitáveis" as restrições migratórias que cerca de 70 países ainda impõem aos contagiados pelo HIV.

Em declarações à Agência Efe, Saca assegurou que os obstáculos impostos ao tratamento dos doentes de aids e contagiados pelo HIV parecem "discriminatórios" e um atentado "aos direitos humanos" dos infectados.

Da mesma forma que em seu discurso, pediu que fosse redobrada a colaboração na redução do preço dos remédios para aprofundar as conquistas obtidas até o momento.

Sobre o assunto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, assegurou em seu discurso que a situação da luta contra a aids continua sendo "inaceitável" apesar da redução global no número de mortes e a maior quantidade de pacientes que recebem tratamento.

Lembrou que no mundo as pessoas que necessitam o tratamento com anti-retrovirais e não o recebem são o dobro quando comparadas com aqueles que conseguem acesso a esse tratamento. EFE jju/bm/plc

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