Governo venezuelano expulsa diretor e subdiretor da HRW para as Américas

Caracas, 19 set (EFE).- O Governo venezuelano expulsou esta noite o diretor para as Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, horas depois da apresentação em Caracas de um relatório do grupo com críticas ao Executivo do presidente Hugo Chávez.

EFE |

Também foi expulso o subdiretor da organização, Daniel Wilkinson, segundo um comunicado oficial da Chancelaria venezuelana.

A nota do Ministério assinala que o Governo decidiu pela expulsão após avaliar as declarações públicas feitas por Vivanco e estabelecer que com elas "violentou a Constituição e as Leis" da Venezuela "agredindo as instituições da democracia venezuelana".

Assinala também que ele se intrometeu "ilegalmente nos assuntos internos" do país.

A Chancelaria acrescenta que o Governo decidiu pela expulsão de Vivanco, com passaporte chileno, "com base nos valores constitucionais de defesa da soberania nacional e da dignidade do povo venezuelano".

Diz que decidiu, além disso, pela expulsão de "seu acompanhante" Daniel Wilkinson, com passaporte americano.

"É política do Estado venezuelano, apegado aos valores da mais avançada e democrática constituição que tenha tido nosso país em sua história, fazer respeitar a soberania nacional e garantir às instituições e ao povo sua defesa frente a agressões de fatores internacionais", diz a nota.

Afirma que essas "agressões de fatores internacionais" respondem "a interesses vinculados e financiados pelas agências do Governo dos Estados Unidos da América, que após a roupagem de defensores dos Direitos Humanos, desdobram uma estratégia de agressão inaceitável para nosso povo".

No comunicado, o Governo diz notificar a ambos "a obrigação de abandonar de maneira imediata a pátria do Libertador Simón Bolívar".

O chanceler Nicolás Maduro informou em declarações a meios de imprensa estatais que após a notificação, Vivanco foi conduzido ao aeroporto internacional de Maiquetia, a cerca de 30 quilômetros de Caracas, e que já está "fora do espaço aéreo" venezuelano.

Na quinta-feira, a ONG apresentou em Caracas um relatório de 267 páginas no qual criticou o "desprezo" do presidente Chávez por "direitos fundamentais", sob o titulo "Uma década de Chávez.

Intolerância política e oportunidades perdidas para o progresso dos direitos humanos na Venezuela".

O documento destaca que o "suposto compromisso" do chefe do Estado venezuelano para com a democracia é "contraditório com o desprezo, por parte de seu Governo, de garantias institucionais e direitos fundamentais". EFE eb/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG