Governo venezuelano expropria fazenda de empresário

Dando continuidade a uma onda de expropriações de terras iniciada na semana passada, o governo da Venezuela expropriou nesta segunda-feira uma fazenda de quase 3 mil hectares de um importante empresário venezuelano, alegando que as terras são de propriedade do Estado e estão improdutivas. De acordo com o presidente do Instituto Nacional de Terras (Inti), Juan Carlos Loyo, a fazenda Caroní, da família do empresário Tobías Carrero, não tinha documentos que comprovassem que o terreno era de propriedade privada.

BBC Brasil |

"São terras de propriedade da nação. Não foi apresentado nenhum documento que indique vestígios de propriedade privada, (as terras) se encontram em um terreno baldio genérico da nação", afirmou Loyo em entrevista ao canal estatal VTV
.

Segundo o presidente do Inti, o Executivo indenizará o proprietário da fazenda pela infraestrutura construída no local.

A fazenda, de 2,8 mil hectares, está localizada na terra natal do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Estado de Barinas (norte do país).

Segundo o presidente do Inti, será instalado no local um centro de tecnologia agrícola de propriedade social - na qual governo e comunidade local participam da gestão - para a produção de carne e leite.

O dono da propriedade, Tobías Carrero, que a imprensa afirma ter sido um dos financiadores da campanha eleitoral de Chávez, é acusado pelo governo de financiar "planos de conspiração de grupos opositores" e seria próximo do governador de Maracaibo, Manuel Rosales, um dos principais dirigentes anti-chavistas.

Tobías Carrero é considerado como um dos principais aliados do ex-ministro de Interior e Justiça Luis Miquilena, quem rompeu com Chávez logo no início do governo.

O empresário é o presidente da Multinacional Seguros, uma das maiores empresas venezuelanas do ramo.

A intervenção desta segunda-feira é parte de uma nova ofensiva do Executivo às terras consideradas ociosas no interior do país.

Isso ocorre em meio a uma nova crise entre o governo e o setor agroindustrial, que tem resistido em acatar a regulação de preços dos principais produtos da cesta básica.

Com o resgate de terras, Juan Carlos Loyo afirma que o governo pretende impulsionar a produção agrícola no país.

Cerca de 70% da comida que vai à mesa dos venezuelanos depende de importações.

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