Caracas, 9 abr (EFE) - O vice-presidente da Venezuela, Ramón Carrizales, confirmou hoje a nacionalização da siderúrgica ítalo-argentina Ternium Sidor, fabricante de aço, e a atribuiu à adoção de um regime trabalhista semi-escravo e à prepotência.

"Sabemos que o Governo da Argentina sempre foi muito respeitoso com as normas internas" de outras nações, pelo que "isto não gerará qualquer conflito e manteremos as melhores relações", disse em entrevista coletiva, ressaltando que a ordem de nacionalização partiu do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

O consórcio internacional Ternium, presidido por Paolo Rocca, possui atualmente 60% da siderúrgica, enquanto o Estado venezuelano detém 20% e funcionários e ex-funcionários da companhia compartilham os 20% restantes.

A Sidor se situa cerca de 800 quilômetros ao sudeste de Caracas e o Estado venezuelano recebeu US$ 1,2 bilhão por sua venda, em 1997, dois anos antes da chegada de Chávez ao poder.

A infra-estrutura da empresa é composta por 20 instalações onde se produz aço, laminados a quente e a frio, ferro e encanamentos.

A produção de tudo isso, com "matéria-prima subsidiada, da mesma forma que a eletricidade", ocorria com "uma exploração impiedosa" dos trabalhadores, que eram "submetidos a um regime semi-escravo", destacou Carrizales.

Além disso, mesmo com os subsídios, parte da produção era vendida depois à Venezuela "a preços internacionais".

"É possível que não haja violações à lei, mas o que se fazia era pelo menos antiético e desumano", o que o Governo da Venezuela "não pode permitir", ressaltou.

Carrizalez disse que nas negociações de um novo contrato coletivo realizadas entre meio-dia de terça-feira e a madrugada de hoje "sentimos uma atitude de colonizador" por parte dos gestores da empresa.

Os dirigentes teriam adotado "posições intransigentes, desrespeitosas, ofensivas, arrogantes e prepotentes, que simplesmente buscavam manter os esquemas de exploração bárbara à qual estiveram submetidos estes trabalhadores", afirmou.

Nesse contexto, disse que isso foi comunicado a Chávez e que ele o instruiu "a lhes informar que o Estado assumia o controle" e que as condições disso serão definidas em uma negociação posterior.

Por esse motivo, ainda "não podemos falar de qualquer tipo de oferta" e "não estamos fechados a esquema algum" de compra e venda, esclareceu o vice-presidente da Venezuela.

Antes, José Meléndez, porta-voz do sindicato de trabalhadores da Sidor, informou que houve "felicidade com o pronunciamento à uma da manhã" e que a nacionalização "foi um golpe certeiro" à patronal.

"A nacionalização anunciada significa a concretização do sonho dos trabalhadores do socialismo do século XXI", disse o dirigente sindical. EFE ar/db

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