Governo toma medidas para evitar maior contágio da crise internacional

Waldheim García Montoya. São Paulo, 20 out (EFE).- O Governo brasileiro tomou hoje novas medidas para manter ativas as linhas de crédito de alguns setores da economia e evitar um maior contágio da crise financeira internacional.

EFE |

As medidas foram anunciadas após uma reunião em São Paulo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com sua equipe econômica, enquanto no mercado cambial o Banco Central leiloava dólares para os exportadores.

Lula se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, assim como com os titulares do BNDES, Luciano Coutinho; do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, e da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho.

Depois do encontro, Mantega anunciou novas linhas de crédito para os setores agrícola e de construção civil, a fim de evitar que se transformem em vítimas da crise e acabem prejudicando o conjunto da economia.

As medidas incluem um desembolso de R$ 5,5 bilhões em créditos adicionais para a agricultura, que já tinha recebido uma milionária antecipação de empréstimos, e para a construção civil, segundo Mantega.

O ministro reiterou a intenção do Governo de manter os investimentos do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), calculadas em quase US$ 250 bilhões até 2010.

Meirelles, por sua vez, comentou que o Banco Central "não vai mudar sua estratégia" por causa da crise.

"O crédito caiu, mas não parou. Quem vê uma mudança na estratégia da atuação da autoridade monetária está enganado", enfatizou Meirelles.

Nas últimas semanas, o Banco Central interveio direta ou indiretamente no mercado cambial para frear a desvalorização do real frente ao dólar, e hoje lançou outra ferramenta: o leilão de recursos para exportadores.

O Banco Central colocou no mercado US$ 1,62 bilhões, 81% do total oferecido em um leilão destinado a promover o comércio exterior.

Desde que se intensificou a crise internacional, no mês passado, o Governo injetou, por meio de diferentes mecanismos, cerca de US$ 30 bilhões das reservas internacionais do país para aliviar a falta de crédito no mercado interno.

A esses recursos se soma o novo desembolso anunciado hoje para a agricultura e a construção, assim como o leilão de dólares feito para os bancos que fornecem crédito aos exportadores, que viram minguar os recursos disponíveis pela fuga de capitais de países emergentes.

No início desta segunda-feira, em seu programa semanal de rádio, Lula manifestou que o país deve estar atento e com o "olho no crédito", apresentando mais recursos para que pessoas e empresas tenham acesso ao financiamento.

Lula assinalou que desde o agravamento da crise mantém conversas diárias com sua equipe econômica, e admitiu que "se há recessão em Europa e Estados Unidos, isto terá implicações em outros países".

Essa postura contrasta com o otimismo habitual do Governo, que considera que a crise financeira é algo alheio à economia brasileira.

Por sua parte, a oposição, que manteve prudência perante a crise, começou a exigir hoje mais ações ao Governo.

O senador Sergio Guerra, presidente do PSDB, pediu "uma reação consistente na área fiscal", com "ajustes drásticos nas despesas do Governo", e criticou a falta de diálogo de Lula com a oposição em momentos delicados como o atual. EFE wgm/rr

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