Governo tibetano no exílio pede suspensão de protestos contra a China

O governo tibetano no exílio pediu nesta quarta-feira a interrupção dos protestos contra o poder chinês como sinal de respeito às vítimas do terremoto na província chinesa de Sichuan, semanas antes da retomada em junho do diálogo entre chineses e tibetanos.

AFP |

"Para expressar nossa solidariedade à população chinesa, devido ao grande desastre natural que assolou a China, os tibetanos de todo o mundo deverão interromper as manifestações diante das embaixadas chinesas nos respectivos países onde vivem", disse o porta-voz Thubten Samphel à AFP, citando um comunicado divulgado pelo governo exilado na Índia.

O texto do governo tibetano no exílio pede aos manifestantes que interrompam suas atividades "pelo menos até o final do mês de maio" e que "escrevam uma carta ou enviem mensagens explicando que atuam dessa forma em solidariedade às vítimas do terremoto".

Segundo o último registro provisório anunciado pelo governo chinês, o terremoto de 12 de maio deixou 41.353 mortos confirmados, 32.666 desaparecidos e 274.683 feridos em todo o país. Mais de cinco milhões de pessoas estão desabrigadas.

"Também é importante que os tibetanos no exílio" organizem "ações de solidariedade com orações e doações" e "aproveitem as chances de estabelecer relações de amizade entre chineses e tibetanos", acrescenta o comunicado.

De acordo com o governo tibetano, pelo menos 203 pessoas morreram em conseqüência da repressão chinesa às revoltas de março no Tibete. Segundo a mesma fonte, cerca de mil pessoas ficaram feridas e 5.175 foram detidas desde que no dia 10 de março teve início o movimento anti-chinês no Tibete.

Pequim acusa os "agitadores" tibetanos de terem matado 18 civis e dois policiais e afirma que o Dalai Lama e sua "camarilha" estimularam os protestos para sabotar os Jogos Olímpicos de Pequim. O líder espiritual tibetano negou várias vezes essas acusações.

O Dalai Lama, que realiza uma viagem pela Europa, pediu na segunda-feira em Berlim que as pessoas rezem pelas vítimas do terremoto que no dia 12 de maio sacudiu o sudoeste da China.

"Sua Santidade expressou seu profundo pesar pelos que morreram e reza pelos que vivem essa tragédia para que encontrem força para se recuperar", afirmou Samphel.

O comunicado foi divulgado um dia antes da data prevista pelos exilados radicais tibetanos para o início de "Jogos Olímpicos" paralelos no norte da Índia, a menos de três meses dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Esses Jogos alternativos deixam a Índia em uma posição delicada frente à China ao mesmo tempo em que irritam o governo tibetano no exílio, mais moderado.

O apelo foi feito também pouco antes de um novo encontro previsto para junho entre emissários do Dalai Lama e representantes de Pequim. No início de maio um encontro "informal" foi realizado, o primeiro entre as duas partes em cerca de um ano.

Durante os dois meses de crise, o Dalai Lama se manteve fiel a sua política, que consiste em utilizar métodos não violentos para pedir maior autonomia para o Tibete, em lugar de sua independência da China.

A China iniciou na segunda-feira um luto nacional de três dias, uma semana depois do violento terremoto, de 8 graus na escala Richter, que deixou mais de 74.000 vítimas entre mortos e desaparecidos.

pc/dm

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