Governo tailandês suspende estado de exceção e promete reformas

Bangcoc - O primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejajjiva, suspendeu nesta sexta-feira o estado de exceção em Bangcoc e em cinco províncias vizinhas, e se comprometeu a reformar a Constituição, como pede a oposição, para tentar resolver a crise política.

EFE |

A decisão governamental restaura as liberdades civis e permite a libertação de todas as pessoas que foram detidas em aplicação do estado de exceção, exceto as acusadas de participarem de atos violentos.

Hoje mesmo um tribunal da Tailândia colocou em liberdade três líderes das manifestações antigovernamentais: Veera Musikapong, Nattawut Saikua e Weng Tojrakarn, membros da executiva da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura.

Os três foram libertados após pagar uma fiança de 500 mil bahts (US$ 14,059 mil) cada, determinada por um tribunal penal de Bangcoc.

Eles haviam se entregado aos corpos de segurança em 14 de abril, após desconvocar o protesto que dirigiam e que mantinha a sede governamental cercada desde 26 de março.

Um dos mais importantes dirigentes das manifestações, o ex-ministro Jakrapob Penkair, está em paradeiro desconhecido desde então e faz circular entre seus simpatizantes mensagens nas quais pede para manter a pressão a fim de derrubar o Governo.

"O governo envia um sinal à comunidade internacional de que a normalidade voltou ao país, mas continuará coordenando as diversas agências de segurança", afirmou Vejajjiva, que decretou a medida extraordinária em 12 de abril, para sufocar os protestos em um momento no qual tinham crescido em número e ousadia.

O governante afirmou que busca a reconciliação com a oposição dos "camisas vermelhas", integrada pelos simpatizantes do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto por um golpe de Estado em 2006 e atualmente no exílio.

Apesar da normalização, as divisões políticas continuam, como demonstraram os parlamentares nas sessões realizadas na quarta e quinta-feira para discutir a recente crise, e os "camisas vermelhas" se dispõem a voltar às ruas de Bangcoc no sábado.

Mas, desta vez, o Executivo está preparado para impedir que cerquem a sede governamental novamente e transformem o líder e seus ministros em um governo "ambulante", como ocorreu de 26 de março a 14 de abril.

O primeiro-ministro defendeu, durante o debate parlamentar, a atuação dos corpos de segurança para acabar com os protestos e propôs a criação de uma comissão para determinar a reforma da Constituição, elaborada em 2007 pelos militares que derrubaram Shinawatra.

A oposição rejeita esta Carta Magna, porque representa um retrocesso a respeito da anterior, de 1997 e considerada a mais democrática da história da Tailândia.

Os militares, em sua reforma constitucional, abriram as portas do Legislativo para retornarem, entre outros.

O analista Thawee Suraritthikul, professor da Universidade Aberta Sukhothai Thammathirat, disse que o Governo e a oposição provaram durante o debate parlamentar que não estão preparados para cooperar, e essa atitude, segundo ele, fará fracassar qualquer tentativa de fechar a crise ou de reformar a Constituição.

A reconciliação que o primeiro-ministro tailandês busca não inclui Shinawatra, que, em outubro do ano passado, foi condenado a dois anos de prisão por crime de abuso de poder durante os cinco anos que governou o país.

O Ministério de Assuntos Exteriores revogou o passaporte de Shinawatra, que incitou seus simpatizantes a organizar uma revolução, no mesmo dia da declaração do estado de exceção.

Segundo a imprensa tailandesa, Shinawatra, ex-coronel da Polícia, viajou esta semana à Libéria e a outros países da região para estudar diversos investimentos no setor da mineração e dos diamantes.

O governo tem bloqueados US$ 1,8 bilhão em contas de Shinawatra devido aos processos judiciais abertos contra ele, parte da fortuna de US$ 2,2 bilhões atribuída a ele pela revista "Forbes" em 2004.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que visitará a Tailândia em julho para participar de reunião do fórum de segurança da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), reuniu-se esta semana com o ministro de Exteriores tailandês, Kasit Piromya, em Washington.

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