Governo tailandês resiste a pressão para convocação de eleições

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 15 mar (EFE).- O Governo da Tailândia ignorou hoje o ultimato dado por dezenas de milhares de seguidores do primeiro-ministro deposto Thaksin Shinawatra, que, espalhados por várias áreas de Bangcoc, exigem a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições.

EFE |

O atual premiê tailandês, Abhisit Vejjajiva, apareceu na televisão nacional ladeado por ministros e aliados, demonstrando tranquilidade.

"Os manifestantes exigiram a dissolução do Parlamento antes do meio-dia (2h de Brasília) de hoje, mas os partidos da coalizão decidiram rejeitar esta exigência", disse o líder do Partido Democrata, o segundo maior em número de deputados.

"A realização de eleições tem que acontecer sob regras comuns e em meio a uma calma real. Nós temos que ouvir as vozes dos outros, não só a dos manifestantes", acrescentou Vejjajiva, um político jovem e educado em Oxford, com um perfil bem diferente do dos velhos dinossauros da política tailandesa.

O primeiro-ministro gravou a mensagem exibida hoje no quartel-general do 11º Regimento de Infantaria, onde, inicialmente, por motivos de segurança, havia instalado o seu Governo.

"Nosso objetivo é resolver os problemas do país. Portanto, afirmamos que não haverá dissolução do Parlamento e o Governo continuará trabalhando em benefício da nação", concluiu.

Vejjajiva também frisou que seu Executivo "é legítimo" e descartou o uso de força contra os manifestantes. Em seguida, subiu em um helicóptero e sobrevoou os engarrafamentos causados pelos "camisas vermelhas", que, em uma longa caravana, se deslocaram até o quartel militar para manifestar sua insatisfação com o Governo.

Os seguidores da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura ocuparam quilômetros de avenidas e ruas da capital.

Cumprimentados por passantes, eles gritavam palavras de ordem contra as autoridades. Mas, ao meio-dia, o Governo ainda não havia cedido aos manifestantes.

Na queda de braço entre os governistas e os seguidores de Shinawatra, dois soldados ficaram feridos na explosão de quatro granadas.

Os explosivos foram jogados por pessoas não identificadas contra um acampamento militar e na área em que fica residência do chefe do Exército tailandês, general Anupong Paochinda.

Os dois feridos, um sargento de 49 anos e um soldado de 23, foram levados para o Hospital Mongkut Klao, na capital tailandesa, onde deverão passar uma semana internados, segundo fontes médicas.

O porta-voz interino do Governo, Panithan Wattanayagorn, informou à imprensa que a Polícia já interrogava um suspeito na delegacia de Thung Mahamek.

As autoridades ainda não disseram se a explosão das granadas tem alguma relação com as manifestações contra o Governo que a Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura realiza desde o fim de semana.

Para acalmar os manifestantes nos protestos desta segunda-feira, os militares tentaram sufocar o som das palavras de ordem com músicas de jazz compostas pelo rei Bhumibol Adulyadej.

Apesar do revés sofrido hoje, os seguidores de Shinawatra continuam protestando de forma pacífica.

"Eles não podem nos deter. Continuaremos até que o Governo e os chefes do Exército ouçam o povo e reinstalem a democracia na Tailândia", afirmou um manifestante, professor de Engenharia em uma universidade da capital.

O ex-primeiro-ministro Shinawatra, deposto por um golpe de Estado militar em 2006, lidera os "camisas vermelhas" do exterior.

Por causa dos protestos, cerca de 50 mil soldados e policiais continuam em alerta ante o risco de serem registrados casos de violência. As embaixadas, por sua vez, estão desaconselhando a participação de estrangeiros nas manifestações. EFE grc/sc

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