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Governo tailandês rejeita proposta dos camisas vermelhas

(Atualiza com a rejeição do Governo à oferta dos manifestantes) Miguel F. Rovira.

EFE |

Bangcoc, 24 abr (EFE).- Os milhares de manifestantes que exigem a dissolução do Parlamento tailandês receberam hoje, atrás de barreiras feitas com pneus e bambu, a recusa do Governo à oferta de negociar uma saída pacífica da crise política.

A proposta dos "camisas vermelhas, que montaram um acampamento no coração da cosmopolita Bangcoc, consiste em acabar com a ocupação em troca da dissolução do Legislativo pelo Executivo em 30 dias, e não imediatamente como exigiam.

"Rejeitamos porque eles usam de violência e intimidação, e isso é inaceitável", disse o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, ao ser questionado se aceitava ou não a oferta dos manifestantes, após seis semanas de protestos e atos de violência que já causaram 26 mortes e mais de 1 mil feridos.

Pelo menos 45 granadas e artefatos explosivos explodiram na capital tailandesa e em províncias vizinhas desde que em 14 de março os "camisas vermelhas" retomaram os protestos e mobilizaram mais de 100 mil pessoas.

A primeira negociação entre os "camisas vermelhas" e o Governo para chegar a um acordo fracassou porque os líderes da mobilização recusaram a proposta do primeiro-ministro de convocar eleições antecipadas para o fim deste ano.

O chefe do Exército e principal responsável da segurança na capital, general Anupong Paochinda, descartou na sexta-feira passada o uso da força para dispersar os manifestantes, o que despertou a ira dos grupos de partidários governamentais e dos chamados "camisas amarelas", da corte conservadora e monárquica.

No entanto, o porta-voz do organismo criado para supervisionar a segurança na capital, coronel Sansern Kaewkamnerd, disse em entrevista coletiva, sem dizer como nem quando, que os milhares de manifestantes serão dispersados, assim como suas armas apreendidas e o acampamento desfeito.

"O que vamos fazer é identificar os terroristas existentes entre os camisas vermelhas. Não vamos usar a força contra os manifestantes, mas isso não quer dizer que não vamos dispersá-los", apontou o porta-voz militar.

Enquanto isso, o Governo e o Exército mantêm silêncio sobre os planos para lidar com os manifestantes e acabar com a crise, os chefes dos protestos insistem com o primeiro-ministro que aceite a oferta e adverte que os rebeldes combaterão às tropas no caso de uma operação de despejo do centro da capital.

"Se o primeiro-ministro rejeitar nossa oferta, nós vamos continuar lutando", advertiu Natthawut Saikuea, um dos chefes dos "camisas vermelhas" em discurso aos correligionários.

Segundo outro importante líder da mobilização, Jatuporn Prompan, o primeiro-ministro deu ordem neste sábado ao chefe do Exército e responsável pela segurança em Bangcoc, general Anupong Paochinda, de usar a força para dispersar os manifestantes.

"Disse o primeiro-ministro ao general Anupong que não vai dissolver o Parlamento, nem negociar com a Frente. Quer que o Exército disperse os camisas vermelhas", disse Prompan ao jornalistas.

A Tailândia está imersa em uma profunda crise política fruto da luta entre os detratores e os apoiadores de Thaksin Shinawatra, deposto no levante de 2006 depois governar durante quase seis anos.

Exilado e foragido da justiça tailandesa, o multimilionário Shinawatra, sobre o qual pesa na Tailândia uma condenação de dois anos de prisão por corrupção e abuso de poder, dirige e financia os protestos à distância.

Os "camisas vermelhas" são em grande maioria das zonas rurais do norte e do noroeste do país, as de maior densidade demográfica e reduto dos testas-de-ferro de Shinawatra. EFE mfr/dm

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