Governo tailandês recusa proposta de dissolver Parlamento e convocar eleições

O governo da Tailândia rejeitou hoje a proposta do chefe do Exército, Anupong Paochinda, de dissolver o Parlamento e convocar eleições para superar a profunda crise política no país, anunciou um porta-voz oficial.

Redação com agências internacionais |

"O primeiro-ministro (Somchai Wongsawat) disse muitas vezes que não renunciará, porque foi eleito de forma democrática. Isso continua de pé", disse o porta-voz do Executivo, Nattawut Saikuar, ao "Canal 3" da televisão estatal.

O porta-voz governamental disse que o chefe de governo também não mudou de parecer quanto a sua rejeição em dissolver o Parlamento e realizar eleições.

Paochinda se reuniu hoje com altos funcionários, empresários e acadêmicos para falar da crise, que se agravou hoje com a ocupação e o fechamento do aeroporto internacional Suvarnabhumi de Bangcoc por opositores, e, após duas horas de debates, saiu com a proposta de ir às urnas.

"Isto não é um levante. O governo continua tendo total autoridade. Estes pontos são a via para resolver o problema que colocou o país em uma profunda crise", disse Paochinda, em entrevista coletiva, que também pediu à Aliança do Povo para a Democracia que pare as mobilizações antigovernamentais.

Tensão

A crise na Tailândia piorou nos últimos três dias. Na segunda-feira, a Aliança cercou o Parlamento e impediu que os legisladores se reunissem, e no dia seguinte fez o mesmo com o Executivo.

Nesta quarta-feira, manifestantes se apoderaram da torre de controle do aeroporto internacional de Bangcoc.

AP

Manifestantes tomaram aeroportos da Tailândia

"A Aliança (do Povo para a Democracia) tomou o controle totalmente do aeroporto de Suvarnabhumi, por isso a partir de agora qualquer avião que queira decolar ou aterrissar terá de nos pedir permissão", anunciou à imprensa Chaiwat Sinswuwong, um dos líderes do protesto.

Violência

Pelo menos oito pessoas ficaram feridas em cinco explosões registradas esta madrugada nos aeroportos de Suvarnabhumi e Don Muang, tomados por centenas de manifestantes antigovernamentais desde a terça-feira.

Três pessoas ficaram feridas em três explosões no Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, o principal de Bangcoc. Outra explosão deixou dois feridos no aeroporto de Don Muang, situado cerca de 30 quilômetros ao norte de Bangcoc e sede provisória do Governo desde que os manifestantes da Aliança ocuparam a sede oficial, em 26 de agosto.

Mais três pessoas ficaram feridas na explosão de duas granadas lançadas contra um grupo de seguidores do governo concentrado em uma estrada próxima a Don Muang.

Ação dramática

O correspondente da BBC em Bangcoc Jonathan Head disse que a manifestação - fechando a entrada para a indústria de turismo, vital para o país - é a ação mais dramática já realizada pela oposição.


Turistas aguardavam no aeroporto de Suvarnabhumi / AP

Inicialmente, os líderes do protesto esperavam interceptar o primeiro-ministro Somchai Wongsawat, que está para voltar de uma viagem para fora do país, mas o vôo será transferido para outro aeroporto.

Agora, o PAD diz que vai manter o aeroporto fechado até que Somchai renuncie.

O movimento tenta impedir que o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que vive atualmente na Grã-Bretanha, volte à vida política do país e acusam o atual governo de ser corrupto e hostil com a monarquia .

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