Governo sueco proíbe pagamento de bônus em estatais

O governo sueco anunciou o fim da concessão de bônus a chefes e diretores de todas as 53 empresas estatais da Suécia.

BBC Brasil |

 "Estamos fechando as portas a todas as possibilidades de remunerações extras e bônus. Todos os principais executivos das empresas estatais terão apenas salários fixos a partir de agora", disse o Ministro das Finanças sueco, Anders Borg.

"Não deve haver dúvidas de que as diretorias das empresas estatais devem trabalhar em primeiro lugar pelo bem-estar da sociedade sueca", enfatiza o artigo assinado pelos líderes da aliança governista e publicado no jornal Dagens Nyheter.

A medida foi tomada em reação à indignação generalizada provocada pelo pagamento de bônus a executivos, num momento em que a crise financeira mundial provoca cada vez mais demissões no país.

A imprensa sueca tem dado grande destaque à revolta diante do pagamento de altas remunerações.

Nesta quarta-feira, os jornais registram a forte pressão pela demissão da líder do principal sindicato sueco, Landsorganisationen (LO), Wanya Lundby-Wedin, que teria aprovado um pacote de aposentadoria de mais de 30 milhões de coroas (cerca de 3,7 milhões de dólares) ao ex-presidente do fundo de pensões AMF, ligado ao sindicato, Christer Elmehagen.

Segundo a revisão realizada pelo governo, alguns executivos de 12 das 53 empresas estatais recebem bônus contratual equivalente a quatro vezes o valor de seus salários fixos mensais. Mas em geral, a maioria dos executivos têm direito a bônus no valor máximo de dois salários mensais.

"Nenhum bônus excessivo foi encontrado, mas isso não importa, porque a população acredita que há excessos. Portanto, estamos acabando com os programas de bônus. Vamos 'limpar a casa' para que os cidadãos tenham a certeza de que tudo é feito de maneira apropriada e limpa nas empresas estatais", disse a vice-primeira-ministra Maud Olofsson em entrevista coletiva à imprensa.

Os conselhos de administração das empresas estatais já receberam instruções do governo para renegociar contratos de seus funcionários, a fim de implementar a nova medida.

"A responsabilidade pela prestação de contas será exigida", avisou Olofsson.

A questão dos bônus será tema de um debate especial no Riksgad (Parlamento sueco) nesta quinta-feira.

O governo quer levar a questão também ao âmbito das empresas privadas e adiantou que irá convidar executivos das principais companhias suecas a discussões sobre "níveis razoáveis de remuneração" a funcionários graduados.

Diante das críticas crescentes da sociedade sueca, a montadora Volvo e o banco SEB cancelaram seus programas de pagamento de bônus.

O porta-voz da vice-primeira-ministra disse que o Governo também vai buscar influenciar a política de remunerações das empresas nas quais o Estado tem participações.

"Representantes do governo nos conselhos de administração destas empresas vão exercer pressão pela adoção da linha governamental", observou Frank Nilsson.

A Suécia está ainda trabalhando atualmente junto a outros países no sentido de estabelecer novas regras para um sistema de compensações a altos executivos do setor financeiro.

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