Governo sudanês volta a acusar Israel por ataques aéreos

Cartum, 27 mar (EFE).- O Governo do Sudão informou hoje que foi Israel, e não os Estados Unidos, o país responsável por vários ataques aéreos registrados em uma região de fronteira com o Egito, mas insistiu em negar que os veículos bombardeados faziam transporte de armas.

EFE |

"Estes comboios não estavam levando armas, eram usados por contrabandistas para levar mercadorias ao Egito", disse à agência Efe o porta-voz do Ministério sudanês de Assuntos Exteriores, Ali al-Sadiq.

Veículos de imprensa americanos divulgaram informações de relatórios os quais indicam que aviões israelenses bombardearam um comboio no Sudão que transportava armas para o movimento palestino Hamas em janeiro deste ano.

Ontem, o ministro sudanês de Transportes, Mabruk Mubarak Salim, assegurou que cerca de 800 pessoas foram mortas após diversos ataques realizados pelos EUA entre janeiro e março.

Hoje, Sadiq confirmou que foram dois os ataques registrados na área, disputada entre Sudão e Egito, e afirmou que as ações armadas ocorreram nos últimos dois meses, sem dar as datas exatas.

De acordo com o porta-voz sudanês, o Governo de seu país confirmou que os aviões responsáveis pelos ataques eram israelenses, e não americanos, e que a maioria dos integrantes dos comboios eram contrabandistas dos países do chamado Chifre da África, onde ficam nações como Etiópia, Eritréia, Djibouti e Somália.

"O contrabando rumo ao Egito é um velho fenômeno", acrescentou Sadiq.

O porta-voz também lembrou que os ataques foram vinculados à ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

"Com estes ataques, Israel queria insinuar à opinião pública internacional a existência de um fluxo de armas rumo à Faixa de Gaza a partir de países árabes, incluindo o Sudão", acrescentou Sadiq.

Segundo Sadiq, "isto é uma flagrante violação da soberania do Sudão, assim como das leis internacionais".

Um funcionário dos serviços de segurança do Sudão que preferiu se manter anônimo disse à Agência Efe que 80 pessoas teriam morrido nos ataques de Israel, bem menos que as 800 mencionadas ontem pelo ministro dos Transportes sudanês.

A mesma fonte explicou que a demora do Governo de Cartum em divulgar estas operações armadas aconteceu para "não dar chances a Israel de desviar a atenção das graves violações dos direitos humanos ocorridas na Faixa de Gaza" durante seus ataques.

O funcionário acrescentou que, além das duas operações contra os comboios, aviões israelenses também teriam atacado um barco pesqueiro sudanês no Mar Vermelho matando 25 pessoas, mas não disse quando isso teria acontecido.

As autoridades israelenses evitaram se pronunciar sobre tais informações. Israel não costuma confirmar nem desmentir ações de caráter ofensivo em território de outros países, tanto as realizadas por seu Exército quanto pelos serviços secretos. EFE az-nq/bba

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