Governo somali se diz enfraquecido por ataques islâmicos

Por Abdi Sheikh MOGADÍSCIO (Reuters) - O presidente Abdullahi Yusuf reconheceu que insurgentes islâmicos hoje controlam a maior parte da Somália e levantou a possibilidade de seu governo desabar por completo.

Reuters |

Os islâmicos vêm avançando pouco a pouco sobre a capital, intensificando sua rebelião, que já dura dois anos, e minando as frágeis conversações de paz mediadas pelas Nações Unidas para pôr fim a 17 anos de caos no país do chifre da África. Um ataque de granada no domingo matou quatro pessoas e deixou nove feridas em Baidoa, sede do governo.

"A maior parte do país está nas mãos de islâmicos, e nós estamos apenas em Mogadíscio e Baidoa, onde há guerra diária", disse Yusuf a alguns de seus legisladores no vizinho Quênia, no sábado.

Suas declarações foram transmitidas pela mídia somali na noite de sábado.

"Nós mesmos estamos por trás dos problemas e somos responsáveis neste mundo e no além. Os islâmicos vêm capturando todas as cidades e agora controlam Elasha. Se o governo cair, será cada um por si. Os islâmicos matam garis - eles não vão poupar parlamentares", disse Yusuf.

Elasha fica a apenas 15 quilômetros de Mogadíscio.

Nas áreas que captura, os insurgentes vêm aplicando uma forma rígida da lei islâmica. No sábado, açoitaram 32 pessoas por participarem de uma dança tradicional em território controlado pelos rebeldes ao sul da capital.

No mês passado, mataram por apedrejamento uma jovem acusada de adultério em Kismayu, no sul do país. Foi a primeira execução pública desse tipo feita por militantes de linha dura em dois anos.

Yusuf atribuiu a ineficácia de seu governo em parte às diferenças entre ele e o primeiro-ministro Nur Hassan Hussein.

DESASTRE HUMANITÁRIO

Chefes de Estado da região fizeram uma reunião no fim de outubro para discutir a crise na Somália e pediram que a administração formasse um novo gabinete em 15 dias.

"O primeiro-ministro me deu uma lista de novos ministros, mas não sei como aprovar nomes daqueles que destruíram nosso governo, enquanto os construtivos são excluídos", disse ele a legisladores.

"Não temos ministros do governo. Precisamos retornar a nosso país muito rapidamente e formar um governo."

Yusuf está em Nairobi para reunir-se com parlamentares que permaneceram após a reunião regional. Alguns analistas dizem que ele fez lobby para os parlamentares votarem contra a lista de ministros que o premiê lhe enviou quando o assunto foi discutido no Parlamento.

Enquanto isso, a insurgência continua.

"Três mulheres e um bebê morreram quando islâmicos atiraram duas granadas de mão contra policiais que patrulhavam o mercado central de Baidoa no domingo", disse à Reuters o chefe de operações policiais, Abdihakim Abdi.

Um funcionário humanitário somali foi gravemente ferido depois de ser baleado na cabeça em Merka, cidade portuária capturada pelos rebeldes na quarta-feira.

Os islâmicos controlaram Mogadíscio e a maior parte do sul da Somália durante metade de 2006. Forças aliadas etíopes e do governo somali os derrubaram, mas desde então eles vêm travando uma campanha guerrilheira em estilo iraquiano e vêm reconquistando terreno aos poucos.

Como fizeram quando controlaram a capital em 2006, os islâmicos estão garantindo segurança muito necessária em várias áreas, mas são impopulares entre muitos muçulmanos moderados por imporem práticas fundamentalistas.

A turbulência na Somália vem instabilizando toda a região do chifre da África, gerando um dos piores desastres humanitários do mundo e desencadeando uma onda de ataques piratas no Golfo de Aden, uma via marítima crucial para o comércio entre Europa e Ásia.

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