Governo se movimenta para reduzir impacto da crise global

Brasília, 11 dez (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva analisou hoje com empresários e sua equipe econômica o impacto da crise e seus ministros anunciaram fortes rebaixamentos de impostos para fomentar o consumo e tentar reduzir o impacto da crise na economia brasileira.

EFE |

Lula recebeu dezenas de influentes empresários dos setores mais representativos da economia nacional e, horas depois, os ministros de Fazenda, Guido Mantega, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tornaram públicas medidas que, segundo calcularam, injetarão cerca de R$ 9 bilhões à economia real.

Mantega disse ter ficado decidido atacar em três frentes, a fim de fortalecer o setor financeiro, estimular a compra de veículos e aliviar o bolso dos cidadãos, através de uma revisão do imposto sobre a renda pagado por pessoas físicas.

O ministro anunciou que o chamado Imposto às Operações Financeiras, que taxa o crédito e os negócios de câmbio, entre outras, será reduzido dos atuais 3% a 1,5%.

Também explicou que os tributos cobrados a quem compra um automóvel serão levados a zero no caso dos veículos com motores de até mil cilindradas, e cairão de 13% a 6,5% para os demais.

Fora isso, foram revisadas para baixo as tabelas do imposto sobre a renda das pessoas físicas, medida que junto com as duas anteriores injetará US$ 3,9 bilhões à economia ao longo de 2009.

Outra medida prevista pelo Governo, que deverá ser aprovada pelo Conselho Monetário Nacional, aponta a permitir que o Banco Central faça uso das reservas internacionais, situadas hoje perto de US$ 206 bilhões, para apoiar empresas brasileiras que têm créditos contratados no exterior.

O ministro Miguel Jorge explicou, por sua vez, que o setor privado se comprometeu a fazer os esforços necessários para manter as taxas de emprego nos níveis atuais, evitar as demissões e reduzir ao máximo as férias coletivas anunciadas nas últimas semanas em diversos setores produtivos.

Antes de divulgadas essas medidas, que se unem a outras adotadas nos últimos meses para fortalecer o setor bancário e a indústria automotiva, entre outros, os empresários reiteraram perante Lula sua rejeição aos elevados impostos aplicados no país.

A carga tributária no Brasil quase equivale a 40% do Produto Interno Bruto (PIB), que no ano passado foi de US$ 1,32 trilhão, e segundo o setor privado constitui um freio para o desenvolvimento e um agravante na atual situação de crise.

"Nada seria melhor agora que aplicar uma série de exonerações tributárias, a fim de reduzir os preços dos produtos para estimular a demanda e manter o crédito", disse o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Armando Monteiro Neto, após a reunião com Lula.

Nesse encontro estiveram representadas fortes empresas do país, como Fiat, Ford, General Motors e Volkswagen pelo setor automotor; os bancos Santander, Bradesco e Itaú-Unibanco; as linhas aéreas Gol e TAM, a siderúrgica Vale e as construtoras Andrade Gutiérrez e Odebrecht, entre outras.

Segundo Monteiro Neto, as reduções tributárias permitirão ao setor privado manter em um ritmo atual ou similar seus planos de investimento, com o que se "evitará o agravamento" do panorama econômico brasileiro, que já deu fortes sinais negativos.

Perante a ameaça, nos últimos dias Lula pediu, em diversos discursos públicos, que os brasileiros mantenham o ritmo de compra e evitem o temido esfriamento da economia.

Com as medidas anunciadas hoje, Monteiro Neto considerou que o Governo começou a passar do dito ao feito, embora tenha assinalado que tanto o setor público como o privado devem estar alertas perante o desenvolvimento da crise global durante o próximo ano. EFE ed/rr

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