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Governo retoma diálogo com oposição e não negociará sobre mortos de Pando

La Paz, 14 set (EFE).- O Governo de Evo Morales retomou hoje na Bolívia o diálogo com os governadores regionais opositores e advertiu que não negociará eventuais acordos sobre as mortes ocorridas no departamento (estado) de Pando.

EFE |

Trata-se do segundo encontro em dois dias entre o Executivo e o governador regional de Tarija, Mario Cossío, que representa seus colegas e os dirigentes cívicos opositores de Santa Cruz, Beni, Chuquisaca e Pando, para enfrentar o que muitos definem como a última oportunidade de diálogo para solucionar a crise da Bolívia.

Os conflitos vividos pela Bolívia causaram cerca de 30 mortos em Pando segundo o Governo, paralisaram as estradas de metade do país e bloquearam as fronteiras da Bolívia com Brasil, Argentina e Paraguai.

Várias regiões do país sofreram também vandalismo, saques e ocupação de instituições e empresas do Estado em regiões governadas pelos opositores, além de ataques contra infra-estruturas do setor energético.

Antes de se reunir com o vice-presidente do Governo, Álvaro García Linera, Cossió considerou fundamental que depois se some ao encontro o presidente Evo Morales para definir as bases de um diálogo mais formal com todos os opositores autonomistas.

A reunião de hoje deveria fixar as características do palco de negociação sobre o projeto da nova Carta Magna impulsionada por Evo Morales, os estatutos para dar um regime autônomo a Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija e a distribuição das rendas petrolíferas.

Estes são os três temas de fundo que mantêm enfrentados há vários meses o Governo Morales e a oposição, e que provocou a onda de protestos contra o Executivo.

As medidas de pressão derivaram em uma onda de violência que teve seu "pico" mais grave no departamento de Pando, onde o Governo declarou o estado de sítio.

García Linera disse que o Executivo tem "uma ampla predisposição" para discutir esses temas, na perspectiva de alcançar "a compatibilização dos estatutos autônomos com a nova Constituição".

No entanto, advertiu que não estão dispostos a discutir a denúncia contra o governador regional de Pando, Leopoldo Fernández, a quem processarão penalmente e a quem pretendem deter por sua suposta responsabilidade nas mortes ocorridas em sua região.

A maioria das vítimas morreu em tiroteios entre setores camponeses leais ao presidente e opositores autonomistas na localidade de Porvenir, perto de Cobija, capital de Pando, ocupada por militares desde a noite de sexta-feira.

"A opinião pública tem que saber que o Governo não vai negociar em relação aos mortos, o Governo não vai negociar a responsabilidade penal e criminal dos massacradores", destacou García Linera.

O vice-presidente também tachou Fernández de "assassino" e negou a ele sua condição de "interlocutor" nas negociações com os governadores regionais.

De fato, anunciou que na próxima terça-feira, o Congresso, presidido por García Linera, constituirá uma comissão com atribuições de Promotoria para investigar os violentos fatos em Pando.

García Linera acrescentou que também não negociarão acordos para que os responsáveis pelos ataques "terroristas" contra instalações petrolíferas que afetaram a venda de gás ao Brasil e Argentina fiquem impunes.

Ratificou sua decisão de avançar na investigação e processos contra quem ocupou e destruiu instituições e empresas estatais em várias regiões, diante da passividade de seus governadores regionais.

Ao chegar ao Palácio do Governo de La Paz, Cossío se mostrou esperançoso em que nesta segunda reunião sejam construídas "as bases de um acordo que devolva a tranqüilidade, a certeza e a paz ao povo boliviano".

Segundo Cossío, um dos avanços para a possível instalação de um diálogo formal consiste no consentimento dos líderes opositores autonomistas para manter negociações com o Governo, após avaliar os primeiros trabalhos da sexta-feira passada.

Além disso, destacou como um segundo avanço a aceitação do cardeal Julio Terrazas, a máxima autoridade da Igreja Católica na Bolívia, e de alguns embaixadores como "facilitadores ou fiadores" das conversas.

"O diálogo poderia contar com o acompanhamento de organismos nacionais ou internacionais de modo que garantam que não se paralise e assegurem que os acordos sejam respeitados", disse Cossío. EFE ja/ma

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