Governo provisório priva Bakiyev de imunidade e exige que se entregue

Moscou, 13 abr (EFE).- O Governo provisório do Quirguistão anunciou hoje que suspendeu a imunidade do deposto presidente Kurmanbek Bakiyev, refugiado no sul do país, e ameaça detê-lo se ele não se entregar hoje mesmo.

EFE |

O vice-primeiro-ministro, Azimbek Beknazarov, fez o anúncio na capital quirguiz, Bishkek, após informar às agências que Bakiyev nesta manhã reuniu milhares de seus partidários em Jalal-Abad, no sul do país, onde está refugiado após a sua derrocada.

Beknazarov, ex-procurador-geral desse país da Ásia Central, disse à imprensa que "se Bakiyev não se entregar no final deste comício, os corpos de segurança iniciarão uma operação para detê-lo", segundo a agência "Fergana.ru".

"Está claro que ele está tentando dividir o país entre sul e norte. Se incitar a uma guerra civil, tomaremos medidas adequadas para detê-lo", assinalou o funcionário, quem lamentou que Bakiyev não tenha tomado a "decisão sensata" de renunciar.

Acrescentou que o Governo provisório formado pela oposição após a sua a derrocada do presidente, que o acusava de autoritarismo, abusos, nepotismo e corrupção, está movendo um processo penal contra Bakiyev, mas não forneceu detalhes sobre as acusações.

O Ministério da Saúde informou nesta terça-feira que após a morte de outras duas pessoas nos hospitais sobe para 83 mortos e mais de 1,6 mil feridos o número de vítimas dos violentos choques entre as forças de segurança e os manifestantes opositores na semana passada.

Beknazarov informou que o Governo provisório suspendeu a atividade do Tribunal Constitucional, transformado em um "instrumento de poder" de Bakiyev, e destituiu à presidente da Corte Suprema, Dzhamiul Alíeva.

Enquanto, Bakiyev discursou brevemente diante de seus partidários em Jalal-Abad, onde um de seus assessores disse à agência russa "RIA Novosti" que o líder deposto contestará o "ultimato" para que se entregue às novas autoridades.

O líder insistiu em sua versão de que os opositores que se manifestavam em frente à sede do Governo foram os primeiros a disparar contra as janelas de seu escritório, e que os corpos de segurança só dispararam em resposta quando começou o ataque ao prédio.

Bakiyev se mostrou convencido de que o Governo provisório não conta com amplo apoio popular da população e minimizou a importância das conversas telefônicas do novo líder quirguiz, Rosa Otunbayeva, com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.

"Uma ligação não significa que Putin ou Hillary apóiam Otunbayeva. Eles não entram em contato comigo porque aqui não conseguem me contatar", afirmou, segundo a agência russa "Interfax".

Bakiyev, quem há vários dias tinha se mostrado disposto a negociar com o Governo provisório sobre as condições de sua renúncia, confirmou no comício que está disposto a conversar com as novas autoridades, mas não detalhou suas exigências.

O presidente deposto apareceu pela primeira vez em público ontem durante um discreto comício em seu povoado natal, no qual advertiu que se o Governo provisório prendê-lo haverá um derramamento de sangue. EFE se/dm

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