Governo provisório da Tunísia anuncia projeto de anistia

Ministros de governo interino deixam partido governista; policiais disparam para tentar conter protestos

iG São Paulo |

O governo provisório da Tunísia anunciou nesta quinta-feira um projeto de lei de anistia geral, que apresentará ao Parlamento, informou o ministro de Desenvolvimento Regional Ahmed Nejib Shebi, após uma primeira reunião do conselho de ministros desde a deposição do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali.

AP
Na capital Túnis, manifestantes protestam em frente à sede do partido Reunião Constitucional Democrática, do ex-presidente Ben Ali
"O ministro da Justiça apresentou um projeto de lei de anistia geral, que foi adotado pelo gabinete e enviado ao Parlamento", indicou o ministro Ahmed Nejib Chebbi.

De acordo com o ministro da Educação Superior, Ahmed Ibrahim, o movimento islamita Ennahdha também está incluído na anistia. O grupo foi banido pelo governo de Ben Ali, que fugiu para a Arábia Saudita na sexta-feira passada após um mês de protestos contra o governo.

Também nesta quinta-feira, ministros do governo provisório da Tunísia deixaram o partido Reunião Constitucional Democrática (RCD), que governa o país desde a independência em relação à França, reagindo a protestos pelo fim da influência do grupo após a queda de Ben Ali. A decisão pode contribuir para a restauração da credibilidade do governo provisório, depois de quatro ministros da oposição terem deixado o gabinete nesta semana, em protesto contra a manutenção de membros do antigo regime. O primeiro-ministro e o presidente interino já haviam deixado o partido.

Após a decisão dos ministros, o RCD anunciou a dissolução de seu comitê político, principal órgão de direção, informou a televisão estatal.

Na tentativa de dispesar centenas de manifestantes, que exigiam que ministros ligados ao governo de Ben Ali deixassem o governo, policiais tunisianos dispararam nesta quinta-feira. Os manifestantes, reunidos diante da sede do partido RCD em Túnis, recusaram-se a recuar quando a polícia fez os disparos de trás de uma cerca. Pela primeira vez desde a queda de Ben Ali na semana passada, houve protestos também em outras cidades da Tunísia.  

Desemprego

Para o porta-voz do Fundo Monetário Internacional (FMI), os atos de violência que culminaram com a derrubada do governo na Tunísia demonstram a urgência com que o problema do desemprego precisa ser solucionado nos países árabes. "É muito cedo para fazer um balanço definitivo das repercussões econômicas da violência na Tunísia, mas ficou claro que ela já provocou uma redução da atividade econômica", declarou David Hawley.

Para o porta-voz do FMI, a taxa de crescimento de países que importam petróleo na região, equivalente a cerca de 4% no ano passado, é insuficiente para criar empregos para os jovens que entram no mercado de trabalho, reduzindo assim a taxa de desemprego cronicamente alta da região.

*Com AFP

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