Governo pressionou Bank of America a comprar Merrill Lynch, diz procurador

Nova York, 23 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos pressionou o executivo-chefe do Bank of America, Kenneth Lewis, para fechar a compra do banco de investimento Merrill Lynch, apesar das fortes perdas, afirmou hoje o procurador-geral de Nova York, Andrew Cuomo.

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Cuomo investiga a transação entre essas duas entidades, formalizada em 1º de janeiro passado, e também se foi adequada a informação apresentada a acionistas e contribuintes. O Bank of America recebeu US$ 20 bilhões de fundos públicos para facilitar o negócio.

O procurador enviou hoje uma carta a Christopher Dodd e Barney Frank, presidentes das comissões de bancos e serviços financeiros no Senado e na Câmara, respectivamente, onde são repassadas a compra do Merrill Lynch e algumas reuniões de Lewis com funcionários do Departamento do Tesouro e do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

O Merrill Lynch, que atravessava grave crise, conseguiu em 15 de setembro um acordo para ser adquirido pelo Bank of America e a operação foi aprovada pelos acionistas do banco comprador em 5 de dezembro.

Cuomo relata que, uma semana depois, o Merrill Lynch "de forma rápida e calada" anotou em suas contas mais perdas do que as previstas antes da fusão. Os números eram conhecidos por alguns executivos do Bank of America, mas que não foram revelados aos acionistas até meados de janeiro, duas semanas após a transação ser concretizada.

O procurador-geral de Nova York diz que Lewis foi advertido em 14 de dezembro por seu diretor financeiro da deterioração das contas do Merrill Lynch, que no quarto trimestre acumularam perdas de mais de US$ 15 bilhões.

Com esse panorama, Lewis informou três dias depois ao então secretário do Tesouro, Henry Paulson, que estava considerando "seriamente" invocar uma cláusula do acordo de compra que permitiria ao Bank of America abandonar a operação caso aparecesse algum assunto adverso que não se conhecesse.

Lewis se reuniu em 17 de dezembro em Washington com Paulson, com o presidente do Fed, Ben Bernanke, e com outros funcionários para discutir essa possibilidade e eles lhe pediram que não invocasse a cláusula até realizar mais consultas.

"Durante essas reuniões, os funcionários do Governo federal pressionaram o Bank of America para que não buscasse uma rescisão do acordo de fusão", diz Cuomo em sua carta.

"Não dispomos por enquanto de um panorama completo do papel do Fed nos assuntos", diz o promotor.

A possibilidade de deixar sem efeito o compromisso de compra do Merrill Lynch ficou fechado depois que Paulson advertiu Lewis de que, caso recorresse à citada cláusula, a equipe gerente do Bank of America e seu Conselho de Administração seria substituído, segundo explicou o próprio Lewis a Cuomo.

O promotor diz que Paulson, durante uma reunião em seu escritório, corroborou em grande parte o relato de Lewis.

O secretário do Tesouro disse a Lewis que não levar adiante a operação com o Merrill Lynch suporia um risco para o sistema financeiro dos EUA e para seu banco, uma opinião que também compartilhava o Fed, segundo explicou depois Lewis a seu Conselho de Administração.

"Lewis admite que a ameaça de Paulson o fez desistir da ideia de invocar a cláusula e acabar com o acordo", afirma Cuomo. EFE vm/rr

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