Governo peruano investiu milhões para recuperar país de terremoto

Pisco (Peru), 14 ago (EFE) - Um ano depois do terremoto que castigou a costa centro-sul do Peru, os US$ 400 milhões investidos pelo Governo não parecem satisfazer os milhares de desabrigados que ainda hoje tem que viver em barracos e acampamentos de lona. Pisco foi a cidade mais afetada pelo terremoto de 15 de agosto de 2007, que causou a morte de 595 pessoas e o desaparecimento de mais de 300. Nesta cidade, foi convocado para amanhã um dia pacífico de mobilizações em protesto pela lentidão da reconstrução.

EFE |

"Avança-se a passos de tartaruga", disse na quarta-feira em Pisco Mario Huamán, líder da Confederação Geral de Trabalhadores do Peru, que se uniu às mobilizações da sexta-feira para pedir que as contas fossem esclarecidas, que houvesse descentralização nas tarefas de reconstrução e maiores ajudas à população.

O prefeito de Pisco, Juan Mendoza, é uma das pessoas mais criticadas atualmente, em um cenário de lutas pelo poder local. Ele mesmo perdeu a irmã no terremoto e trabalha em um escritório emprestado pelo escritório de coordenação da ONU, abarrotado pelas centenas de processos relacionados ao terremoto.

Mendoza reconhece que a burocracia desacelerou o trabalho e que a coordenação das autoridades locais e nacionais deixou a desejar, mas lembra que a província sofreu 85% de destruição e os desabrigados não entendem que há muitos trabalhos de infra-estrutura, como de esgoto e eletricidade, necessários antes da reconstrução.

Mas os oito mil títulos de propriedade entregues -segundo números do prefeito -, são insuficientes para todos, pois são milhares os habitantes da cidade que permanecem refugiados em humildes barracos, suportando as infiltrações das chuvas dos últimos dias.

Além da destruição de um ano atrás, um recente estudo sísmico encarregado pelo especialista Julio Kuroiwa afirma que toda a praia de Pisco é "zona de perigo muito alto".

Segundo ele, é por isso que as autoridades pedem a todos os que contavam com uma casinha com vista para o Pacífico para saírem e serem realojados em outro lugar.

Mas o receio em Pisco em relação às autoridades é tão grande e a burocracia é tão intricada que tudo gera desconfiança mútua neste triste aniversário que foi declarado dia de luto nacional. EFE fjo/bm/db

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG