Governo peruano faz concessões e protesto é suspenso

Por Marco Aquino LIMA (Reuters) - O governo peruano fez algumas concessões nesta terça-feira e conseguiu suspender um protesto em uma região andina, no início do processo de conversações do primeiro-ministro Yehude Simon com dirigentes de organizações sociais que exigem mais investimentos e atenção do Estado.

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O protesto paralisava havia dias a cidade de Andahuaylas, na região de Apurimac, uma das mais pobres do país, localizada cerca de 400 quilômetros a sudeste de Lima.

Simon viajou à zona de conflito e disse que o governo firmou com organizações sociais de Andahuaylas um acordo com vários compromissos, pelo qual os protestos ficam suspensos até setembro, quando será avaliado seu cumprimento.

"Foi suspenso o uso da força. À medida que se cumpram os acordos, isso ficará como uma página a mais no levante de povoados", disse Simon à TV estatal.

Entre os compromissos se incluem a construção de uma estrada na região, que havia sido adiada, e a não privatização do aeroporto de Andahuaylas, explicou Simon.

O conflito em Andahuaylas é parte de uma nova onda de protestos que o governo enfrenta desde que, no começo de junho, duros confrontos deixaram mortos 34 indígenas e policiais da região amazônica, no norte do Peru, na pior manifestação no atual mandato do presidente Alan García.

Simon planeja viajar quarta-feira para Cusco, onde milhares de trabalhadores saíram às ruas nesta semana para rechaçar os planos do governo de construir uma usina hidroelétrica, por temerem danos ambientais, além de outras reivindicações.

OUTROS FOCOS

O primeiro-ministro afirmou que planeja renunciar nas "próximas semanas", depois de resolvidos os conflitos, mas o Congresso pretende solicitar nesta quinta-feira sua destituição do cargo, quando ele ali se apresentar, chamado pela oposição para explicar sua atuação diante das manifestações.

Os fortes protestos de junho foram um duro golpe para o presidente García. A aprovação à sua gestão baixou para 21 por cento, ou seja, nove pontos porcentuais a menos do que em maio.

Aos protestos em Andahuaylas e Cusco se somou a "greve cívica" na cidade andina de La Oroya, onde milhares de trabalhadores da mina Doe Run mantêm bloqueada desde segunda-feira a rodovia central do país, em busca da atenção do governo para que evite o fechamento das atividades da empresa.

A mineração é um dos motores da economia peruana.

Por causa do bloqueio da rodovia La Oroya, que faz a ligação entre o centro do país e a capital, Lima, centenas de veículos de carga e passageiros permanecem parados, segundo imagens de TV.

(Reportagem de Marco Aquino)

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