Governo pede desculpas aos nativos do Canadá

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, pediu nesta quarta-feira desculpas oficiais a milhares de nativos que sofreram durante anos abusos físicos e psicológicos e foram separados à força de sua cultura.

AFP |

"Esta política de assimilação foi um erro, causou grandes danos e não tem lugar em nosso país", assegurou Harper ante a Câmara dos Comuns.

"Foi um triste episódio de nossa história", acrescentou, no pedido que desculpas que era longamente esperado no país.

Cerca de 80.000 nativos foram vítimas do que seus líderes classificam como o "capítulo mais obscuro" da história do país.

A desculpa foi dirigida aos antigos alunos ainda vivos dos "internatos autótones", estabelecimentos nos quais os jovens aborígenes foram internados à força durante anos e separados de sua cultura.

"Foi um genocídio cultural", afirma Ted Quewezance, diretor de uma associação de sobreviventes dos pensionatos e também ex-interno. "Fui vítima de abusos sexuais, físicos e mentais", contou.

Do final do século XIX até os ano 1970, cerca de 150.000 crianças autótones, inuit e mestiços, passaram por esses internatos gerenciados por instituições cristãs sob autoridade do governo federal.

"A herança dessas escolas ainda é muito perceptível, principalmente no abismo sócio-econômico em relação aos demais canadenses", explica um líder autótone de Quebec, Ghislain Picard.

Depois de uma longa campanha, em 2006 foi obtido um acordo coletivo, o mais importante do Canadá, que prevê o pagamento de indenizações e a formação de uma Comissão de Verdade e Reconciliação.

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