Governo paraguaio descarta motivação política em atentado

ASSUNÇÃO (Reuters) - O governo paraguaio descartou na quinta-feira que um atentado a tiros contra um dirigente oposicionista e sua esposa tenha tido motivações políticas, como denunciaram adversários, e assegurou que se trata de uma vingança. Alfredo Avalos, ativista do movimento esquerdista Tekojoja, ficou gravemente ferido ao ser atingido por vários tiros na noite de terça-feira, em um ataque violento em frente à sua casa. Sua esposa, que era brasileira, morreu.

Reuters |

O homem, de 42 anos, está se recuperando lentamente da complicada cirurgia a que foi submetido na quarta-feira.

Tekojoja faz parte da aliança oposicionista que apóia a candidatura do ex-bispo católico Fernando Lugo, favorito nas pesquisas de intenções de voto para as eleições de 20 de abril.

Policiais disseram que o ataque, ocorrido em Curuguaty (300km a nordeste de Assunção), foi um crime relacionado às disputas judiciais enfrentadas por Avalos e não à sua atividade política.

'Este senhor teve vários problemas em suas relações comerciais que levaram até a processos judiciais', disse Roque del Valle, responsável pela investigação, a uma emissora de rádio local.

O presidente paraguaio, Nicanor Duarte Frutos, foi além e chamou Avalos de delinquente. 'É um processado, um delinquente.

Tekojoja está cheio de delinquentes', disse o presidente a jornalistas, ao ser consultado sobre o caso.

Duarte é considerado o poder por trás da ministra da Educação, Blanca Ovelar, candidata à Presidência pelo Partido Colorado.

O promotor Leonardo Cáceres disse que a hipótese de crime político está praticamente descartada e que eles estão averiguando um possível 'ajuste de contas'.

A coalizão liderada por Lugo se opôs a esta postura, afirmando em um comunicado que o ataque se insere 'claramente na campanha de medo que realizam aqueles que temem perder o poder'.

Lugo é uma ameaça para o Partido Colorado, que está no poder há mais de 60 anos. Quem obtiver o maior número de votos nas eleições assumirá o poder no dia 15 de agosto, sem necessidade de segundo turno.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG