Islamabad, 15 jul (EFE).- O Governo do Paquistão pediu hoje ao Tribunal Superior de Islamabad que se cortem as vias de comunicação com o pai da bomba atômica paquistanesa, Abdul Qadir Khan, que deve continuar em prisão domiciliar, informou o canal privado Dawn.

O Governo alegou que o cientista violou a "ata de segredos oficiais" em suas últimas entrevistas concedidas à imprensa e solicitou à Corte que Khan seja privado de conversas telefônicas com o exterior e do uso da internet porque vai "contra o interesse nacional".

O Executivo também não vê com bons olhos suas reuniões com amigos, algo que Khan pode fazer desde que lhe retiraram recentemente algumas restrições, porque ele se encontraria com alguns "elementos antiestatais".

Essa resposta do Governo deu-se depois que a esposa do cientista apresentou um recurso, no qual solicitava a libertação de Khan por considerá-la ilegal.

Há dez dias, Khan abriu uma polêmica no Paquistão com declarações e desmentidos sobre a transferência de tecnologia nuclear à Coréia do Norte com o suposto conhecimento do Exército, que então era comandado pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf.

Em 2003, o cientista foi posto sob prisão domiciliar e, em fevereiro de 2004, confessou pela televisão que tinha revelado segredos nucleares a Irã, Líbia e Coréia do Norte sem autorização do Governo.

Além disso, Khan disse à "Dawn" que não revelou nenhum segredo oficial em suas últimas entrevistas e que tudo o que disse era de conhecimento público. O cientista afirmou que foi Musharraf quem revelou segredos em suas memórias, publicadas quando ainda vestia o uniforme de general. A nova audiência do caso será realizada amanhã.

EFE igb/ab/plc

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