Governo paquistanês restringe deslocamentos de estrangeiros

Islamabad, 29 jan (EFE).- A deterioração da segurança no Paquistão levou as autoridades a restringir ainda mais a liberdade de movimentos dos estrangeiros residentes no país, que só poderão visitar quatro cidades, a menos que tenham permissões adicionais.

EFE |

A medida, que já é efetiva e foi denominada "código de conduta para o movimento dos estrangeiros", vazou nesta semana pela imprensa paquistanesa via Ministério do Interior, mas nem as legações diplomáticas nem os afetados receberam ainda notificação oficial.

Segundo esclareceu à Agência Efe um oficial do Ministério de Informação, a decisão corresponde a todos os estrangeiros - sejam diplomatas, jornalistas, empresários ou turistas -, que só poderão visitar as cidades de Islamabad, Rawalpindi, Lahore e Karachi.

"As demais áreas estão restritas e é necessária uma permissão prévia. Trata-se de uma medida orientada ao próprio bem dos estrangeiros", acrescentou a fonte, que trabalha no setor ministerial encarregado da imprensa internacional.

O aumento repentino das restrições levantou ampolas entre os expatriados, uma comunidade que se viu obrigada a adotar medidas de precaução nos últimos tempos perante a deterioração da situação de segurança no país.

"Uma coisa é que nós mesmos decidamos impor restrições e outra bem distinta é que alguém imponha a você. Agora já não se pode ir a lugar algum", criticou à Agência Efe uma fonte diplomática europeia.

O assunto, disse a fonte, "será tratado na próxima reunião rotineira" das representações diplomáticas de países da União Europeia em Islamabad, para discutir o motivo da medida para "poder reagir" a ela.

"Se alguém toma essa decisão será porque os serviços de inteligência (do Paquistão) sabem algo que nós não sabemos e que não nos dizem", especulou outra fonte diplomática ocidental.

Em declarações à Agência Efe, um responsável dos principais secretos serviços do país (ISI) justificou a decisão governamental com "motivos estritamente de segurança" e para "não minar os esforços na luta contra o terrorismo".

"Devemos saber que estrangeiro vai aonde. Estão ocorrendo muitos sequestros e não podemos permitir que uma destas ações suscite muita atenção da mídia e nos obrigue a fazer concessões como libertar prisioneiros", disse.

Segundo essa fonte, a restrição de movimentos dos estrangeiros será algo temporário e durará "três ou quatro" meses. Por isso, pediu o apoio da imprensa e da comunidade internacional. EFE igb/sa

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