Governo palestino renuncia para permitir a formação de um executivo de união

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, anunciou neste sábado que apresentou a demissão de seu governo ao presidente Mahmud Abbas para permitir a constituição de um executivo de consenso nacional como parte da reconciliação com o Hamas.

AFP |

"A demissão do governo terá efeito a partir da formação de um governo de consenso nacional, no mais tardar no final do mês em curso", anunciou o gabinete de Fayyad em um comunicado.

Fayyad foi nomeado em junho de 2007 depois do cessar do governo formado pelo Hamas por causa da violenta tomada de poder do partido radical na Faixa de Gaza.

As conversações de reconciliação entre Abbas e o Hamas começaram no final de fevereiro, no Egito, quando se anunciou a decisão de constituir esse governo de união antes do final de março.

"Achamos que o clima positivo da primeira rodada de negociações oferece uma oportunidade que é preciso ser explodada para acabar com as divisões e uma base sobre a qual trabalhar para alcançar a unidade e reconciliação", afirmou Fayyad em seu comunicado.

Depois de divulgada a demissão, Abbas informou que havia pedido a Fayyad "que continue com seu trabalho até que vejamos os resultados do diálogo interpalestino".

Por seu lado, o Hamas disse "não lamentar a demissão de Fayyad e de seu governo", através do porta-voz da organização na Faixa de GAza, Fawzi Barhum.

"É o fim que esperávamos porque é um governo ilegítimo e armado com políticas equivocadas vinculadas à política americana", acrescentou.

O Hamas, que venceu as eleições legislativas de 2006, sempre classificou de ilegítimo o governo de Fayyad, considerando que o único executivo legal era o de Ismail Haniyeh, em Gaza.

O "governo de consenso" terá como tarefa principal preparar as eleições gerais e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, destruída por 22 dias de campanha militar israelense (27 de dezembro-18 de janeiro).

A Autoridade Palestina obteve da comunidade internacional a promessa de 4,5 bilhões de dólares para a reconstrução, na conferência de doares de segunda-feira pasada em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Os Estados Unidos anunciaram que doariam 900 milhões de dólares. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ter conseguid garantias de Abbas de que o dinheiro não acabaria nas mãos do Hamas, considerado por Washington uma organización terrorista.

Tanto Israel, como os Estados Unidos e a União Europeia se negam a dialogar com o Hamas até que o grupo radical palestino reconheça o Estado hebreu, cesse a violência e aceite os acordos de paz firmados com Tel Aviv.

O governo palestinos de unidade nacional anterior foi formado em março de 2007, durou apenas três meses e foi boicotado pela comunidade internacional porque incluia ministros do Hamas.

ezz-dlm/cn

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