Governo organiza manifestações de apoio e reúne milhares no Irã

TEERÃ - Dezenas de milhares de partidários do governo se reuniram nesta quarta-feira em várias cidades iranianas, jurando fidelidade ao establishment religioso e acusando líderes oposicionistas de provocarem tumultos no Estado islâmico.

Reuters |

As pessoas que participaram das manifestações organizadas pelo governo e transmitidas ao vivo pela televisão estatal gritavam frases contra os líderes oposicionistas Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karoubi, candidatos declarados derrotados nas eleições presidenciais de 12 de junho.

AFP

Partidários do governo iraniano carregam um banner com as bandeiras dos EUA, Grã-Bretanha e Israeli em protesto pela 'ingerência' externa em assuntos do país

Partidários do governo protestam contra 'ingerência' externa

A votação, em que o presidente Mahmoud Ahmadinejad foi reeleito, foi considerada fraudada pela oposição, detonando os piores protestos do país desde a Revolução Islâmica, em 1979.

"Arrependam-se... senão o sistema os enxergará como 'mohareb' (inimigos de Deus)", disse o clérigo Ahmad Alamolhoda a líderes reformistas em uma manifestação em Teerã, informou a TV estatal.

Pela lei islâmica vigente no Irã, o castigo indicado para um "mohareb" é a morte.

Multidões em Teerã ainda queimaram bandeiras americanas e britânicas.

Apesar de sites de reformistas na internet terem falado em manifestações, nada foi divulgado sobre qualquer presença de partidários da oposição nas ruas nesta quarta-feira. A imprensa estrangeira é proibida de fazer a cobertura de tais protestos, que são ilegais.

As manifestações pró-governo ocorreram três dias depois de confrontos entre opositores e forças de segurança terem deixado oficialmente 8 mortos, 300 presos e 60 feridos no país . Os tumultos de domingo foram os mais sangrentos em seis meses. Depois dos protestos, as forças de segurança lançaram uma caça aos dissidentes  e prenderam pelo menos 20 figuras proeminentes da oposição, entre elas três assessores graduados de Moussavi .

Imagens veiculadas pela televisão das manifestações em várias cidades mostraram pessoas gritando "Mousavi é responsável pelo derramamento de sangue... Apoiamos nosso Líder Supremo".

Algumas pessoas carregavam fotos de Khamenei. Manifestações semelhantes ocorreram na terça-feira.
AFP
Milhares saem às ruas em mostra de força do regime
Milhares saem às ruas em mostra de força do regime

Pressão contra os reformistas

Desde os enfrentamentos mortais ocorridos no fim de semana no ritual religioso xiita da Ashura, a turbulência política no Irã ingressou em uma fase nova, com o "establishment" religioso intensificando as pressões sobre o movimento reformista para que ponha fim aos protestos de rua.

"As pessoas querem ver os líderes da sedição punidos. Não ficaremos em silêncio, vendo a religião ser insultada", disse um orador em um comício em Teerã, segundo a TV estatal.

O chefe de polícia do Irã disse também que "não há mais lugar para tolerância para os que participam de manifestações ilegais".

"Aqueles que tomam parte em manifestações ilegais serão tratados com mais dureza, e o Judiciário os enfrentará de modo mais decisivo", disse Esmail Ahmadi-Moqadam, segundo a agência de notícias oficial IRNA. "Alguns dos manifestantes do domingo são considerados mohareb e serão enfrentados com firmeza."

Ahmadinejad, envolvido em um confronto com o Ocidente em torno do programa nuclear iraniano, disse que as manifestações da oposição durante o ritual religioso da Ashura, um dos mais importantes dos xiitas, foram uma "farsa nauseante" que teve apoio do exterior.

Manifestantes pró-governo também gritaram "Morte à América" e "Morte à Grã-Bretanha", informou a TV estatal.

O Irã acusa potências estrangeiras de imiscuir-se em seus assuntos, acusação que vem sendo refutada com vigor.
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