Governo Obama vê eleições no Afeganistão como momento de virada para o país

As eleições desta quinta-feira no Afeganistão marcam um momento crucial neste país para a administração Obama, que injeta recursos e tropas em uma missão cada vez mais ambiciosa e que pretende enfrentar a insurgência talibã.

AFP |

A realização de eleições no Afeganistão é um importante teste para os militares americanos e da Otan, mobilizados para permitir que os afegãos votem livremente e em segurança, enquanto muitos temem que a violência cause uma abstenção maciça.

De acordo com Anthony Cordesman, especialista em segurança nacional do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), cerca de 160 dos 354 distritos do Afeganistão, contra 30 em 2003. Além disso, os ataques rebeldes aumentaram em 60% entre outubro de 2008 e abril de 2009.

O mês de julho foi o mais sangrento para as forças dos EUA desde que a guerra começou, com 44 mortes.

Obama, que fez da guerra no Afeganistão uma das prioridades do seu mandato, já ordenou o envio de 21.000 soldados adicionais, elevando o número total para 68.000 até o final do ano.

A meta inicialmente indicada pela nova administração foi a "perturbar, desmantelar e derrotar a Al Qaeda no Paquistão e no Afeganistão, e evitar a sua evolução".

Mas com o agravamento da situação, Obama parece agora mais inclinado a proteger a população ao invés de se entregar a caça a insurgentes, formando grandes forças nacionais de segurança e promovendo o desenvolvimento econômico e político.

Para levar a cabo a sua missão, o comandante das forças americanas no Afeganistão, o general Stanley McChrystals poderá pedir, em breve, mais reforços para Washington. Contudo, especialistas e líderes políticos acreditam que essas ambições podem aumentar o custo, além de prolongar a presença no Afeganistão.

Em outubro, o conflito - que custa US $ 4 bilhões por mês aos Estados Unidos - vai entrar no nono ano, a mais longa guerra na história americana desde o Vietnã.

O secretário da Defesa Robert Gates reconheceu nesta quinta-feira que a duração da missão militar no Afeganistão permanece "imprevisível".

As eleições no Afeganistão estão sendo acompanhadas em todo o mundo. Foi divulgada esta semana que quase 250.000 observadores, dos quais apenas 10% independentes, estão encarregados de vigiar o desenvolvimento das eleições presidenciais e provinciais no país e impedir a ocorrência de fraudes, em colégios eleitorais sob a ameaça os atentados talibãs.

Os observadores, que em 90% dos casos são delegados dos próprios candidatos ou partidos políticos, e afegãos em sua maioria, serão distribuídos em quase 7.000 locais de votação, numa eleição que representa um verdadeiro desafio logístico.

Cerca de 17 milhões de afegãos são esperadas para comparecer às 7.000 seções de votação, onde serão realizadas simultaneamente as eleições provinciais, sob proteção da polícia e de 300.000 soldados.

No total, 41 candidatos, incluindo duas mulheres, concorrem à presidência.

dab/fb

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG