Governo Obama pode ampliar diálogo com internautas

Ao chegar à Casa Branca, o novo presidente americano, Barack Obama, poderá ampliar sua paixão pela Internet e inaugurar um novo tipo de governo baseado no diálogo entre sua Administração e os internautas.

AFP |

Sem dúvida, a Internet foi um elemento estratégico de campanha do democrata, em especial, para recrutar voluntários e difundir mensagens e vídeos. O próprio Obama expressou seu entusiasmo em relação às novas tecnologias. Resta saber, agora, como ele irá integrar a Internet ao exercício do poder e a tudo o que isso significa, incluindo a necessidade de sigilo em inúmeras áreas.

"A equipe de Obama vai utilizar a vasta base de dados que desenvolveu (durante a campanha) para obter apoio?", questiona a diretora do Instituto sobre Democracia e Internet na Universidade George Washington, Julie Germany.

"Ele poderá, por exemplo, enviar e-mails, ou apelar para os moradores de determinados bairros para que eles influenciem os parlamentares sobre os temas dos quais a Administração Obama trata", comenta.

Micah Sifry, co-fundador do blog sobre política e Internet techpresident.com, acredita que Obama tentará fazer com que os internautas participem, porque é de seu interesse.

"As pessoas se sentirão bem mais motivadas a apoiar o que está na agenda (presidencial), se pensarem que também é sua própria agenda", argumentou, acrescentando que Obama "vai aprender (...) que quanto mais ele fizer seus eleitores participarem, mais poder ele terá".

Antes mesmo de tomar posse, o que acontece em 20 de janeiro próximo, o presidente eleito já adotou a iniciativa, lançando, na quinta-feira, o site www.change.gov, no qual mostra o passo a passo da transição.

Com o título "O que você quer para mudar o mundo", a página de Obama convida os internautas a "compartilhar" sua "visão" de futuro para o país. Importante, claro, é que os visitantes deixem suas coordenadas, indispensáveis para a elaboração de uma robusta base de dados.

Segundo Craig Newmark, fundador do site de classificados craigslist.com e um dos conselheiros de Obama para novas tecnologias, a Internet pode dar espaço para um governo mais aberto e mais reativo.

"Em Nova York e em San Francisco, há programas chamados 311", uma espécie de call center dos governos locais. "Se você tem um problema, você procura o 311".

"E estenderemos esse programa a todo o governo", propôs.

Segundo o ex-diretor de serviços de Internet da Casa Branca David Almacy, a Web é "uma poderosa ferramenta" para o presidente americano, sobretudo, "para informar a agenda do presidente".

"A Internet é um porta-voz aberto sete dias por semana, 24 horas por dia", diz ele, ressaltando que "enquanto dormimos, à noite, tudo está sempre disponível para aqueles que pesquisam uma lei sobre energia, ou buscam informações sobre a guerra contra o terrorismo, ou a guerra no Iraque".

Almacy, que dinamizou o site whitehouse.gov durante seus dois anos na Casa Branca, destaca, porém, que a Administração de Obama terá uma margem de manobra limitada quanto ao uso da rede mundial de computadores.

"Você não pode, por exemplo, enviar 'cookies' para os computadores das pessoas", lembra o especialista, ressaltando que "temos de trabalhar dentro de certos limites".

Ainda de acordo com Almacy, além da questão prática, há barreiras de ordem psicológica: "algumas pessoas estão menos preparadas para confiar no governo de um candidato à presidência no qual não haviam acreditado".

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