Governo Obama deve começar sob crise de emprego

Por Andrea Hopkins CINCINNATI (Reuters) - O presidente-eleito dos EUA, Barack Obama, está montando rapidamente uma equipe para enfrentar a crise econômica, mas especialistas dizem que pelo menos um dos indicadores mais preocupantes -- o desemprego -- não apresentará uma melhoria em breve.

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Novas estatísticas mostram o fechamento de 240 mil vagas em outubro, o que eleva o desemprego a 6,5 por cento, maior nível nos últimos 14 anos. Desde o começo do ano, 1,2 milhão de empregos foram perdidos - 651 mil dos quais nos últimos três meses.

No coração industrial dos EUA, os números se refletem em milhares de pessoas desesperadas por recolocação, novas carreiras, algum conselho ou só um pouco de esperança -- como as cerca de 3.000 que desde agosto de 2007 já procuraram o programa de Carlos Cisneros na Faculdade Comunitária Mott, em Flint (Michigan).

Todas as terças e quartas-feiras, 22 pessoas são selecionadas para as sessões de orientação profissional que Cisneros supervisiona, para então passar duas horas buscando um programa adequado de requalificação profissional.

Se antes os operários da combalida indústria automobilística de Michigan tinham a opção de buscar emprego em outros Estados, agora as perspectivas parecem sombrias no país inteiro.

"Dois anos atrás, eles iriam para o sul e teriam boa chance de arrumar emprego. Agora, aonde irão? Estavam habituados a estar frustrados, agora estão assustados."

E a eleição de Barack Obama, que fez campanha prometendo ajudar a classe média a enfrentar o desemprego e os gastos com saúde e educação? Isso não é uma esperança?

"Só desejamos o melhor para ele", disse Cisneros. "Mas não espero que saiamos dessa durante um bom tempo -- mais do que um ano. Só espero que a partir de 2010 comecemos a ver mudanças."

Os economistas também prevêem desemprego em alta.

"Não vejo qualquer melhora no mercado do emprego para todo o ano de 2009", disse Michael Walden, professor de Economia da Universidade Estadual da Carolina do Norte. "Estamos antevendo uma taxa de desemprego de 8 a 8,5 por cento, e 1 a 1,5 milhão a mais de pessoas sem trabalho em 2009."

REDUÇÃO DE EXPECTATIVAS

Walden disse que Obama não tem escolha senão começar a rebaixar rapidamente as expectativas, para que seus seguidores não se frustrem.

"Ele precisará comunicar às pessoas que temos graves problemas econômicos, que vão demorar, que não haverá um botão mágico para deixar tudo lindo", disse Walden.

Mas os sindicatos, que tanto ajudaram na vitória de Obama, argumentam que o presidente e o Congresso, sob amplo domínio democrata, podem pelo menos limitar a perda do emprego no próximo ano.

Nossas expectativas são altíssimas", disse Ron Blacwell, economista-chefe da central AFL-CIO. "Por isso apoiamos Barack Obama."

A entidade espera que o Congresso aprove outro pacote de estímulo econômico em janeiro, ainda antes da posse de Obama, para ampliar benefícios a desempregados, dar mais subsídios alimentares aos pobres e investir em programas sociais e de infra-estrutura, para criar empregos.

"Estou confiante de que Barack Obama vai cumprir essas metas, mas depende de um programa que seja muito mais ambicioso do que foi contemplado até esta altura", disse ele.

O economista Jared Bernstein, do Instituto de Política Econômica, uma entidade liberal, disse que as medidas tomadas por Obama podem significar a diferença entre uma taxa de desemprego acima de 8 por cento daqui a um ano, ou uma taxa próxima a 7 por cento.

"Ele não é uma vítima indefesa de uma econômica fraca -- há coisas que ele pode fazer", disse Bernstein, que na sexta-feira participaria em Chicago de um encontro de economistas com Obama. "Mas uma vez que ele fizer de tudo, não significa que estamos salvos. Ele herdou uma recessão, potencialmente profunda e longa -- algo que eu não desejo para nenhum novo presidente."

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