Governo Morales e oposição avançam em diálogo e elaboram documento-base

La Paz, 15 set (EFE).- O diálogo entre o Governo do presidente Evo Morales e os opositores autonomistas para pacificar a Bolívia está avançando e está sendo elaborado um documento que servirá de base para a negociação, informaram fontes oficiais.

EFE |

A segunda reunião entre o vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, e o governador de Tarija, Mario Cossío, que representa os opositores autonomistas, terminou hoje de madrugada com expectativas otimistas.

Cossío disse ao final do encontro que as duas partes estão perto de fechar as bases de um acordo por meio de um documento que pode ficar pronto ainda hoje.

"Tivemos que rediscutir os temas, mas diria que estamos indo por um bom caminho", declarou Cossío no Palácio do Governo, em La Paz, ao final da reunião com García Linera.

O documento base sobre o qual Governo e oposição estão trabalhando define as condições da negociação, entre elas, os atores do diálogo, os temas de discussão, quem serão os mediadores e "facilitadores" e qual será a metodologia de trabalho, segundo a edição desta segunda do jornal "La Razón".

As duas partes adiantaram que os principais temas de negociação seriam as rendas petrolíferas procedentes do Imposto Direto sobre Hidrocarbonetos (IDH), o projeto constitucional patrocinado pelo Governo central e o regime autônomo defendido pelos líderes opositores de cinco dos nove departamentos (estados) do país.

Governo e opositores devem se reunir de novo quando Morales, que não participou da reunião de ontem, retornar da cúpula de emergência sobre a Bolívia realizada hoje pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul) em Santiago.

A complexa crise política da Bolívia passa por seu pior momento neste ano com a escalada da violência derivada dos protestos contra o Governo central nos departamentos de Santa Cruz, Beni, Pando, Tarija e Chuquisaca, controlados pela oposição.

Em Pando, esta onda de violência política deixou pelo menos 30 mortos em um enfrentamento entre civis que levou o Governo a decretar estado de sítio no departamento.

Os opositores autonomistas exigem que o Governo devolva as rendas do IDH cortadas para pagar benefícios aos idosos desde o início do ano.

Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija também aprovaram este ano estatutos de autonomia rejeitados como "ilegais" pelo Governo, por estarem fora da Constituição e não contarem com respaldo das instituições do Estado, e "separatistas", ao entenderem que promovem a divisão na Bolívia.

O departamento de Chuquisaca se uniu a esta reivindicação autonomista e sua governadora, Savina Cuéllar, anunciou um referendo autonomista para 30 de novembro.

Os dirigentes de todos estes departamentos também concordam em rejeitar o projeto de nova Constituição com a qual Morales quer refundar o país e criticam o "regime centrista e autoritário" que, em seu julgamento, o líder indígena quer impor na Bolívia. EFE sam/wr/fal

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