Governo Morales diz que metade da população de Santa Cruz rejeita autonomia

La Paz, 5 mai (EFE).- O Governo de Evo Morales voltou a afirmar hoje que a metade da população do departamento boliviano de Santa Cruz rejeita o estatuto autonomista submetido a referendo no último domingo, apesar de as pesquisas mostrarem que 80% dos eleitores aprovaram o texto.

EFE |

"Em Santa Cruz, aproximadamente metade da população não está de acordo com esse estatuto", sustentou o porta-voz do presidente Morales, Ivan Canelas, em uma conferência em Cochabamba (centro).

Canelas explicou que os dados com os quais trabalha o Governo, "tomados da própria imprensa", estabelecem que a abstenção na consulta rondou os 40%, e que os votos emitidos contra o estatuto autônomo superaram 10%.

O referendo autonomista, organizado pelos líderes opositores de Santa Cruz, não tem nenhum valor legal para o Governo boliviano, que o considera uma mera pesquisa, e por isso pediu à população que não participasse dele.

O governador de Santa Cruz, Rubén Costas, proclamou ontem à noite a aprovação do estatuto, com um apoio superior a 80%, número que coincide com as pesquisas de boca-de-urna elaboradas por vários meios de comunicação.

Por sua parte, Morales qualificou de "fracasso" a consulta, e convocou todos os governadores regionais a dialogar, a partir de hoje, sobre uma "verdadeira" autonomia emoldurada em seu projeto de nova Constituição, que ainda deve ser submetido a referendo.

O porta-voz presidencial afirmou hoje que o Governo vai esperar que os governadores regionais expressem sua aceitação, e depois o líder fixará pessoalmente "a data e a hora" do diálogo, tão logo seja possível.

"A aplicação do estatuto (de Santa Cruz) é praticamente nula, de modo que há necessidade de ingressar em processo de diálogo", enfatizou Canelas.

Morales e os nove governadores regionais iniciaram um processo de diálogo no início deste ano para tentar compatibilizar o projeto constitucional de Morales e as reivindicações de vários departamentos, mas não obtiveram nenhum resultado.

As posteriores tentativas da Igreja Católica, da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de países "amigos" como Brasil, Argentina e Colômbia para que ambas as partes aceitassem sentar-se para negociar novamente também não tiveram êxito.

Canelas indicou que as grandes manifestações realizadas no domingo em várias cidades contra o estatuto autonomista de Santa Cruz também demonstraram que os movimentos sociais estão pressionando em todo o país para que se convoque de uma vez os dois referendos necessários para validar o projeto constitucional.

"O melhor que pode acontecer à Bolívia é entrar em um processo de concertação", ressaltou o porta-voz. EFE mb/gs

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