Governo Morales diz que Bolívia está no limite de um golpe de Estado

O governo de Evo Morales advertiu hoje que a Bolívia está no limite de um verdadeiro golpe de Estado contra a ordem constitucional para derrubá-lo, e atribuiu o plano aos governadores regionais opositores de regiões autonomista.

Redação com agências internacionais |

O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, se referiu ao suposto complô em declarações realizadas à rádio estatal "Patria Nueva", na cidade de amazônica de Trinidad, no departamento de Beni.

Quintana, o braço direito de Morales no governo, disse que esta ação está sendo gerida "ao típico estilo das ditaduras que antecederam a recuperação da democracia em 1982".

Referendo

A Bolívia realiza no próximo domingo um refendo revocatório para decidir sobre a permanência ou não no poder do presidente boliviano Evo Morales, do vice e dos governadores de oito dos nove Departamentos (equivalentes a Estados) do país.

O clima na Bolívia se agrava na medida em que se aproxima a data do referendo. Na terça-feira, dois mineiros morreram na localidade de Caihuasi, quando a polícia tentou desbloquear a estrada que liga os Departamentos de Cochabamba, Oruro e La Paz.


Policiais tentam conter protesto na Bolívia / AP

Os enfrentamentos, com paus e pedras, deixaram também mais de 40 feridos. As vítimas serão sepultadas nesta quinta-feira, em um clima de tensão crescente em vários pontos do país.

Entenda o referendo e os protestos

Morales, seu vice-presidente e os governadores de oito dos nove Departamentos bolivianos, a maioria deles da oposição, devem se submeter no domingo ao referendo que pode dar ao presidente a oportunidade de acelerar a "refundação" da Bolívia segundo um plano indigenista-socialista, plano esse até agora bloqueado pelos opositores do bloco conservador.

"O fundo dessas mobilizações é político. Eles estão tentando fazer com que o referendo fracasse e já se sabe que estão dispostos a chegar a extremos. Mas, no domingo, teremos uma jornada eleitoral a contento", disse Alfredo Rada, ministro de governo.

Rada observou que, em enfrentamentos ocorridos na manhã de terça-feira, em uma importante estrada localizada cerca de 230 quilômetros ao sul de La Paz, morreu um manifestante e outros mais de 12 ficaram feridos.

Pouco depois, as estações de rádio católicas Erbol e Fides disseram que um segundo mineiro havia morrido ao meio-dia, enquanto continuavam os embates em meio a uma operação policial lançada para desobstruir a estrada. A operação começou depois de os mineiros terem dinamitado e destruído parcialmente uma ponte.

"Isso é um massacre e o único culpado é Evo Morales", disse às rádios Felipe Machaca, membro da direção da Central Operária Boliviana, entidade que convocou as manifestações para exigir uma reforma em seu sistema de aposentadoria.

Rada disse que, segundo o comandante-geral da polícia boliviana, "nenhum policial portava armas de fogo nessa operação".

O ministro acrescentou que uma investigação deve determinar se houve, conforme disseram as rádios católicas, disparos de armas de fogo em meio ao conflito.

Os mineiros bloqueiam a estrada desde o fim de semana passado.

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(*Com informações das agências EFE, Ansa e BBC)

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