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Governo Morales assegura que seu projeto agora é hegemônico

La Paz, 23 out (EFE).- O acordo político alcançando na Bolívia para votar a nova Constituição conferiu hegemonia e projeção histórica ao processo de mudança liderado pelo presidente Evo Morales, afirmou hoje seu Governo.

EFE |

Esta é a visão de Carlos Romero, ministro de Desenvolvimento Rural da Bolívia e um dos artífices da negociação que permitiu desbloquear o projeto constitucional de Morales, após aprovar no Congresso a lei de convocação ao referendo sobre a nova Carta Magna.

Em entrevista coletiva, Romero mostrou-se convencido de que este projeto constitucional será ratificado na consulta de 25 de janeiro com apoio próximo a 90%.

Segundo sua opinião, a principal virtude do acordo alcançado com a oposição é uma "interessantíssima compactação do Estado", ao conseguir combinar o modelo indigenista de Morales com a reivindicação autonomista das regiões.

O impacto político do consenso entre governistas e opositores é a consolidação do projeto do Movimento Ao Socialismo (MAS, o partido de Morales) que alcança, segundo o ministro, "hegemonia" para dar "profundidade" ao processo de mudança e de "refundação" da Bolívia.

"Talvez não seja a hegemonia que imaginava o MAS", reconheceu Romero, em alusão às concessões que precisou fazer o Governo para alcançar o convênio.

Entre estas concessões figuram a modificação substancial de mais de 100 artigos do projeto de Carta Magna que aprovou a Assembléia Constituinte na cidade andina de Oruro em dezembro de 2007.

Morales também precisou renunciar ao direito de uma segunda reeleição em 2014 - caso vença o pleito adiantado de 2009.

Após o sucesso do acordo, o desafio do Governo é "construir uma agenda política" para tornar o Estado coeso e "dar oxigênio" à gestão pública para enfrentar a crise econômica, disse Romero.

O ministro participou hoje de um ato organizado pelo Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral (Ideia, na sigla em inglês) junto a outro dos protagonistas do diálogo parlamentar, o senador Carlos Borth, da aliança opositora Poder Democrático e Social (Podemos).

Romero e Borth revelaram que uma das chaves do êxito da negociação foi a formação de uma comissão de trabalho técnico "paralela" -e até então secreta- às mesas "políticas" abertas primeiro entre o Governo e os governadores regionais e, depois, entre governistas e opositores no Parlamento.

Em seu discurso, o senador admitiu que no Podemos houve divisões sobre o acordo e que, inclusive, vários de seus correligionários tentaram "torpedeá-lo". EFE sam/jp

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