Governo libanês retira medidas contra Hezbollah

O governo do Líbano retirou oficialmente as duas medidas contrárias ao Hezbollah, abrindo a possibilidade de acalmar a tensão dos últimos dias no país. O primeiro-ministro Fouad Siniora se reuniu com os ministros de seu gabinete, e após 4 horas de reunião, o governo decidiu voltar atrás na decisão tomada na semana passada.

BBC Brasil |

"As medidas aprovadas pelo gabinete do primeiro-ministro Siniora estão oficialmente anuladas", falou o ministro da Informação Ghazi Aridi aos jornalistas presentes.

Momentos após o anúncio do governo, fortes tiroteios foram ouvidos por Beirute e subúrbios dominados pelo Hezbollah, ao sul da capital, iniciados por militantes comemorando.

O governo havia aprovado duas medidas que previam uma investigação da rede de telecomunicações do Hezbollah e a exoneração do chefe de segurança do aeroporto de Beirute porque ele seria simpatizante do grupo xiita.

Protestos
As medidas provocaram a ira do Hezbollah, que respondeu com protestos por Beirute e outros pontos do país e que logo enveredaram para a violência, em batalhas entre milícias pró e anti-governo, em que o grupo xiita (e seus aliados) derrotou as forças governistas.

Combates pesados entre as duas facções na capital Beirute, em Trípoli, no norte, nas montanhas e em outras cidades do leste do país levaram vários estrangeiros e libaneses a deixarem o país.

A onda de violência, que durou seis dias, deixou ao menos 65 mortos e 200 feridos, na pior crise interna do Líbano desde o fim da última guerra civil, em 1990.

O Exército libanês foi obrigado a posicionar tropas e blindados em diversas regiões do Líbano para tentar garantir a segurança da população civil.

Com a revogação das duas resoluções, o governo espera que a oposição termine a desobediência civil dos últimos seis dias, que bloqueou as principais estradas do país, avenidas e o acesso ao aeroporto de Beirute.

A fronteira leste do Líbano com a Síria, que também estava bloqueada, havia sido reaberta na tarde desta quarta-feira.

Liga Árabe
Apesar das revogações, a situação permanece muito tensa no Líbano, com o país à beira de uma guerra civil e o Exército libanês correndo sério risco de se fragmentar em linhas sectárias, segundo analistas e políticos libaneses.

Após 16 meses, as duas facções políticas, a governista (apoiada pelos Estados Unidos) e oposição (aliada de Síria e Irã) continuam sem chegar a um acordo a respeito da composição do governo e novas leis eleitorais.

O país está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, que é pró-Síria, deixou o cargo ao fim de seu mandato. Desde então, as duas facções políticas não conseguem eleger seu sucessor.

Na manhã desta quarta-feira, uma delegação da Liga Árabe chegou a Beirute com a missão de tentar solucionar a crise política do país.

A Liga Árabe tenta pôr um fim aos protestos contra o governo liderados pelo Hezbollah e seus aliados, que levaram ao bloqueio das principais estradas no Líbano, inclusive a que leva ao aeroporto.

Em reunião com os principais líderes governistas e da oposição, ambos os lados concordaram em evitar que o país se encaminhe para um conflito interno.

No entanto, as duas facções não cederam e um acordo político parece difícil até o momento.

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