Governo lança campanha para combater tráfico de pessoas

Rio de Janeiro, 9 fev (EFE).- O Governo federal lançou hoje no Rio de Janeiro uma campanha nacional para combater o tráfico de seres humanos, com ênfase em incentivar a população, as vítimas e seus familiares a denunciar este crime.

EFE |

A campanha prevê a divulgação de peças publicitárias nas quais aparece a imagem de uma mulher enjaulada sendo transportada como carga de um avião e o número de uma linha telefônica para denúncias.

As imagens da campanha serão exibidas permanentemente nos principais aeroportos e terminais de transporte do país, especialmente nos das cidades com maior número de casos, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, Goiânia, Salvador, Fortaleza, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Belém.

A campanha de combate ao tráfico de pessoas foi lançada hoje na rodoviária Novo Rio, na zona portuária do Rio, pelo secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior.

"É uma atividade criminosa cruel e silenciosa. É difícil visualizar pessoas que são usadas como mercadorias. Por isso, precisamos conscientizar a sociedade, as vítimas, as testemunhas e as próprias autoridades para quebrar esse paradigma do silêncio", afirmou Tuma Júnior.

Segundo o secretário, a maioria dos casos de tráfico de pessoas para prostituição registrados no país está relacionada à exploração sexual de meninas e mulheres pobres, que são recrutadas por conhecidos, enganadas com falsas promessas de trabalho e enviadas a países ricos em onde são mantidas como prisioneiras e obrigadas a se prostituir.

Tuma Júnior acrescentou que essas mulheres representam 79% dos casos de tráfico de pessoas no mundo, segundo a ONU, que calcula que quase quatro milhões de mulheres são vítimas deste crime.

Segundo o secretário, também há casos de tráfico de pessoas para a exploração de mão-de-obra escrava e até para abastecer o mercado de órgãos para transplantes.

De acordo com as estatísticas da ONU citadas por Tuma Júnior, o tráfico de pessoas é uma das atividades criminosas mais lucrativas do mundo, movimentando por volta de US$ 31,6 bilhões.

Tuma Júnior acrescentou que as autoridades brasileiras instauraram nos últimos vinte anos cerca de 800 processos para reprimir o tráfico de seres humanos.

O secretário relatou que o Brasil está em permanente contato com as autoridades de países como Bélgica, Portugal e Espanha, que são os que mais recebem este tipo de imigrantes ilegais, para definir acordos de cooperação e combate ao crime.

Segundo Tuma Júnior, outra estratégia é cortar o fluxo financeiro das organizações criminosas que se dedicam ao tráfico de pessoas, já que o bloqueio dos recursos que recebem é a melhor forma de combater o crime.

"Estas quadrilhas têm um perfil empresarial. Só prender e processar não adianta mais", disse, ao afirmar que a repressão se torna mais efetiva ao se evitar que o dinheiro ganho com o tráfico de pessoas seja movimentado. EFE cm/bba

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