Governo kosovar destaca desenvolvimento 1 ano após independência

Pristina, 17 fev (EFE).- O primeiro-ministro do Kosovo, Hashem Thaçi, destacou hoje o desenvolvimento conseguido pelo autoproclamado país desde que declarou sua independência da Sérvia, há um ano.

EFE |

"Estamos unidos por trás desse propósito comum de construir um Kosovo melhor", disse o premiê diante de 120 parlamentares reunidos em uma sessão solene para comemorar a declaração de independência unilateral de 17 de fevereiro de 2008.

Thaçi disse que o Kosovo está "decidido a triunfar" e enumerou os progressos que, segundo ele, ocorreram nos últimos 12 meses e dos quais "os cidadãos kosovares devem se sentir orgulhosos".

"Criamos milhares de empregos e nosso PIB cresceu 6,1%, e dobramos a taxa de crescimento que tivemos há três anos", lembrou o líder kosovar.

O primeiro-ministro se referiu à melhora da infraestrutura, entre as quais citou 600 quilômetros de estradas e o fornecimento de 35% a mais de energia. Além disso, disse, foram construídas 70 escolas.

Até o momento, o autoproclamado país foi reconhecido por 54 nações, entre elas Estados Unidos e a maioria dos membros da União Europeia.

A declaração de independência há um ano colocou fim a duas décadas de luta contra a Sérvia para conseguir a independência de um território habitado por e milhões de albano-kosovares e cerca de 100 mil sérvios.

O presidente do Kosovo, Fatmir Sejdiu, disse que o país mostrou que está disposto a "trabalhar por seu futuro, apesar das políticas marcadas pelo ódio de Belgrado".

Em coincidência com as celebrações pela independência, Sejdiu anunciou anistia para 62 presos kosovares.

Enquanto isso, as ruas do país ficaram lotadas de cidadãos comemorando o aniversário. As ruas de Pristina mostram hoje bandeiras do Kosovo, da Albânia e dos Estados Unidos, o principal promotor da independência kosovar.

A imprensa local indicou que não houve incidentes e que, nas áreas do norte habitadas pela minoria sérvia, contrária à independência, a situação é de calma.

Apesar das palavras otimistas do primeiro-ministro, a crença dos anos 90 entre os albano-kosovares de que o Kosovo se transformaria em uma nova Suíça quando conseguisse a independência contrasta hoje com uma realidade de desemprego e pobreza.

O milagre econômico que muitos previram que chegaria com a independência não só não aconteceu, mas a economia se encontra em um estado catastrófico.

Essa situação gerou desânimo em um país que, após anos sofrendo com a repressão da Sérvia, enfrenta hoje taxas de desemprego de 40%.

Além disso, diante das poucas perspectivas de futuro, muitos jovens estão saindo do país, cansados de esperar a chegada da prometida prosperidade.

A emigração dos jovens e os baixos salários fizeram com que as autoridades tivessem graves problemas para encontrar pessoas preparadas para assumir os cargos do aparelho do novo Estado.

O sonho de muitos kosovares é ser uma das 2 mil pessoas que atualmente trabalham para as missões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), da União Europeia ou em alguma das embaixadas que abrem em Pristina.

Trabalhar para um organismo internacional garante salários de entre 800 e 1,5 mil euros, uma fortuna em comparação aos 200 euros em média que recebem os funcionários estatais.

Além disso, a paralisia no país afeta também outros aspectos da sociedade, como a Justiça. Os contínuos cortes de energia elétrica, devido ao mau estado da envelhecida rede, também são permanente causa de insatisfação.

O sentimento de abandono da população já causou muitos enfrentamentos com o Governo kosovar, com várias greves. Policiais, funcionários judiciais, professores, profissionais da saúde e até grupos de ex-guerrilheiros protagonizaram protestos para exigir melhorias das condições trabalhistas. EFE Am-as/an

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG