Governo japonês aprova lei de auxílio à Tepco para indenizações

Medida, que tem de ser aprovada por Parlamento, prevê entidade para ajudar empresa a assumir compensações por catástrofe

iG São Paulo |

Reuters
Máquina recolhe material radioativo no ar para amostra perto do reator 3 da usina nuclear de Fukushima, Japão (13/06)
O governo do Japão aprovou nesta terça-feira uma lei de assistência econômica à operadora da usina de Fukushima, a Tokyo Electric Power Company (Tepco), para enfrentar as milionárias indenizações às vítimas da crise nuclear.

A lei, que precisa ser ratificada pelo Parlamento japonês (Dieta) antes de sua entrada em vigor, prevê a criação de uma entidade que assistirá financeiramente a Tepco para assumir as compensações pela catástrofe e perante sua perda de valor na Bolsa de Valores de Tóquio.

A operadora anunciou em abril um primeiro pacote de compensações para cerca de 48 mil famílias situadas a uma distância de até 30 quilômetros da usina nuclear, que representará um desembolso de aproximadamente 50 bilhões de ienes (432 milhões de euros).

O governo espera que a Dieta dê sinal verde ao plano para garantir o pagamento das milionárias indenizações, a manutenção da provisão elétrica e para dissipar a incerteza sobre o futuro da maior companhia elétrica do Japão, informou a agência Kyodo.

A aprovação da lei levanta dúvidas no Parlamento pela possibilidade de a ajuda desencadear altas nas tarifas elétricas e pela instabilidade do atual governo do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, que enfrenta uma crescente pressão para sua renúncia imediata .

A Tepco iniciou nesta terça-feira na usina de Fukushima, após vários dias de atraso, os testes de seu novo sistema para descontaminar as mais de 105 toneladas de água radioativa acumuladas na central. O objetivo é reduzir drasticamente a contaminação de água que alaga a usina para que os trabalhadores possam chegar a zonas até agora proibidas pelo alto risco de radiação.

A central de descontaminação, que deveria começar a funcionar na quarta-feira, deve estar operacional na sexta-feira por problemas detectados durante os testes, disse a Tepco.

Na segunda-feira, a Tepco anunciou que seis de seus operários podem ter sido expostos a radiação entre 264 e 497 milisievert, superior ao máximo de 250 milisievert estabelecido pelo governo para a crise de Fukushima. O caso dos seis funcionários, que trabalhavam nas salas de controle do reator, soma-se ao de outros dois que há algumas semanas demonstraram exposição à radioatividade superior à permitida.

A operadora informou que analisará a exposição radioativa de 3.726 operários que estiveram envolvidos nos trabalhos de emergência após a crise nuclear. No sábado, homenagens marcaram os três meses do terremoto e o posterior tsunami que deixaram mais de 23,3 mil mortos e desaparecidos e danos milionários, além de causar a crise nuclear mais grave desde a de Chernobyl, em 1986.

Controle em crianças

Em meio à preocupação pelos níveis de contaminação na zona, as autoridades de Fukushima anunciaram nesta terça-feira que no último trimestre do ano distribuirão dosímetros a cerca de 34 mil estudantes para controlar sua exposição à radioatividade. A prefeitura de Fukushima, município situado a 60 quilômetros da usina de Daiichi, prevê distribuir os dosímetros em centros pré-escolares, colégios e institutos da cidade.

Além disso, os pais com crianças de menos de três anos poderão solicitar nos escritórios municipais um desses aparelhos, cuja venda disparou desde o início da crise nuclear, em 11 de março. A distribuição dos dosímetros inscreve-se em uma campanha para garantir a saúde das crianças e dos jovens que incluirá também exames de saúde detalhados uma vez por mês, indicou a Kyodo.

As autoridades de Fukushima tomaram essa decisão depois que a Prefeitura de Date, na mesma província, adotou uma medida similar após detectar em zonas isoladas do município níveis de radioatividade acima do limite recomendado.

O acidente na usina de Fukushima Daiichi levou o governo japonês a esvaziar um raio de 20 quilômetros em torno da central e a declarar a área como zona de exclusão. Além disso, recomendou aos moradores entre 20 e 30 quilômetros que permaneçam fechados em suas casas ou deixem o lugar, e forçou a retirada de outras cinco localidades situadas a até 40 quilômetros nas quais se detectou elevada radioatividade.

A Agência de Segurança Nuclear do Japão recomendou desalojar as pessoas em áreas com um nível anual de radiação superior a 20 milisievert, um número que, para organizações como o Greenpeace, é alto demais. Na semana passada, o Greenpeace demonstrou preocupação pela radiação acumulada nas ruas e no solo de Fukushima, embora as autoridades insistam que, por enquanto, não excede os limites recomendados.

*Com EFE

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