Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

Governo italiano investiga juiz que disse que padres ocultaram abusos

O Ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano, determinou a abertura de uma investigação sobre o procurador-adjunto de Milão, o juiz Pietro Forno, para esclarecer se ele difamou a Igreja Católica ao declarar que jamais recebeu uma denúncia da instituição sobre abusos sexuais cometidos por sacerdotes. As declarações do magistrado podem ser de caráter difamatório, porque ele acusou a hierarquia da Igreja Católica de acobertar sacerdotes responsáveis por graves incidentes de pedofilia, diz um comunicado oficial emitido pelo gabinete de Alfano.

BBC Brasil |

Conforme a avaliação do ministro, o juiz Pietro Forno violou o "dever de equilíbrio e discrição obrigatórios em casos delicados como os crimes de pedofilia".

Forno, especializado em casos de abusos sexuais, declarou na quinta-feira que há muitos casos de padres investigados por abusos sexuais na Itália mas, em muitos anos de trabalho nesta área, nunca recebeu denúncias da Igreja.

"As autoridades eclesiásticas não são obrigadas a denunciar, mas há um dever moral. Eu nunca recebi uma denúncia sequer da parte da hierarquia católica, nem dos padres. Quem denuncia são as famílias das vítimas, após terem procurado as autoridades religiosas e estas não terem feito absolutamente nada", disse ele em uma entrevista publicada na quinta-feira pelo jornal italiano Il Giornale, de propriedade da família do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

O magistrado comparou também os casos de abusos sexuais, cometidos por padres, com o incesto.

"O sacerdote tem um grande poder espiritual e moral, tanto que é chamado de padre (pai em italiano)", afirmou o magistrado na entrevista.

Papa
Em meio à polêmicas provocadas pelo escândalo dos abusos sexuais cometidos por sacerdotes, Bento 16 celebra, nesta sexta-feira, uma das cerimônias mais marcantes da Semana Santa, a Via Sacra, durante a qual o papa percorre o caminho que Jesus Cristo fez até ser crucificado.

No discurso que fez na quinta-feira, durante a cerimônia da crisma, na Basílica de São Pedro, quando os sacerdotes são convidados a renovar os votos que fizeram quando foram ordenados padres, o papa Bento 16 não fez menção ao problema dos abusos.

Na praça de São Pedro, muitos fiéis que participam das cerimônias da Semana Santa, se dizem indignados com os escândalos.

"É um escândalo assustador. Se tivessem punido e processado os culpados desde o início não teríamos chegado a este ponto", disse à BBC Brasil Loredana Ciarra, 68 anos, que se definiu como católica praticante.

Segundo ela, por causa dos escândalos, agora muitas pessoas tem receio que os filhos frequentem as paróquias.

"Antes a gente deixava os meninos no oratório e ficava tranquilo, agora ninguém confia mais. Minha filha, por exemplo, tirou meu neto do catecismo e disse que não vai mais deixá-lo fazer a primeira comunhão", confessou.

Para algumas pessoas, a imagem do papa ficou abalada depois de acusações de abusos cometidos por religiosos em diversos países.

"Eu duvido da honestidade do papa diante dos escândalos. Ate 20 anos atrás estes abusos eram normais, agora eles são obrigados a admitir", disse Eolo Lucchetti, 70 anos.

Embora considerem que a imagem da Igreja Católica tenha sido manchada por causa do escândalo dos abusos cometidos por sacerdotes, muitos católicos afirmam que não perderam a fé católica.

"Os abusos são inconcebíveis, sobretudo porque cometidos por pessoas nas quais as vitimas confiavam. Os culpados devem ser expulsos da igreja. Mas a fé é algo pessoal e os escândalos não vão mudar minha fé católica", disse à BBC Brasil Alessio, de 19 anos.

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG