TEGUCIGALPA (Reuters) - O governo interino de Honduras determinou nesta terça-feira a expulsão de todos os diplomatas da Venezuela que estão no país e acusou o presidente Hugo Chávez de interferir em assuntos internos. Segundo a agência estatal de notícias venezuelana, a medida foi ampliada a todas as delegações diplomáticas dos países membros da Alba, bloco dos países esquerdistas liderados por Chávez que inclui Cuba, Bolívia, Equador, Nicarágua além de Honduras.

A vice-chanceler de Honduras interina, Martha Lorena Alvarado, disse que o governo pediu a saída do corpo diplomático da Venezuela em um prazo de 72 horas, embora o governo interino não tenha especificado se havia tomado a mesma decisão para o restante dos países.

"Esta decisão é uma consequência das ameaças ao uso da força, da intromissão a assuntos internos exclusivos de Honduras", disse Martha a uma rádio local.

Mas o encarregado de negócios da embaixada venezuelana respondeu que não acatará a ordem já que seu governo não reconhece as autoridades surgidas do golpe militar que depôs Manuel Zelaya em 28 de junho.

Chávez, um dos principais aliados de Zelaya, retirou em 3 de julho seu embaixador em Tegucigalpa como protesto ao golpe. Mas, segundo o primeiro-secretário da representação diplomática, Ariel Vargas, os outros funcionários permanecem no país.

"Não sairemos daqui", disse à televisão hondurenha.

"O governo legítimo de Honduras é o do presidente Manuel Zelaya. Não atenderemos à solicitação de sair dos golpistas', acrescentou.

O governo interino de Honduras afirmou que a Venezuela ameaça promover a violência no país.

(Reportagem de Gustavo Palencia)

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