Governo interino de Honduras e Zelaya retomarão diálogo

TEGUCIGALPA - Negociadores do governo interino de Honduras viajaram na quarta-feira para a Costa Rica para novas conversações em busca de uma solução para a crise desatada com o golpe de Estado, disse o chanceler interino, Carlos López.

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O diplomata informou a jornalistas que o presidente da Costa Rica e mediador, Oscar Arias, convocou uma reunião entre as partes. López acrescentou, no entanto, que o governo interino não aceitará nenhum acordo que inclua a reintegração do presidente deposto, Manuel Zelaya.

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Apoiadores do Presidente interino de Honduras,
Apoiadores do Presidente interino
de Honduras, Roberto Micheletti,
fazem manifestação pacífica
"Estou viajando para San José com a melhor boa fé, com ânimo e imaginação para cristalizar acordos e resolver a situação política em Honduras", disse ele.

Uma fonte do Ministério das Relações Exteriores costa-riquenho confirmou à Reuters que as delegações de Zelaya e do governo interino retomarão as negociações.

Em Tegucigalpa, vestidos de branco, milhares de simpatizantes do governo interino, instalado depois do golpe militar de 28 de junho, fizeram uma manifestação pacífica . Eles levavam cartazes pedindo "Paz" e chamando Zelaya de traidor.

"Não rejeitamos só Zelaya, rejeitamos também o abuso de poder que ele planejava", disse a professora de história Dumia Tomé, 39 anos. "Não vamos permitir que ele volte."

Nos arredores da capital, cerca de 500 seguidores de Zelaya fizeram uma outra manifestação, pedindo sua volta.

A crise em Honduras

Zelaya foi mandado para o exílio, de pijama, depois que o Congresso e a Suprema Corte o acusaram de violar a Constituição ao tentar uma manobra para permitir sua reeleição. A comunidade internacional defende a restauração do mandato dele, mas o presidente interino, Roberto Micheletti, rejeita terminantemente a volta de Zelaya, conforme propôs o mediador Arias.

A crise é vista como um teste diplomático para o presidente dos EUA, Barack Obama, que busca melhorar suas relações com a América Latina. Washington já condenou o golpe, cortou 16,5 milhões de dólares em ajuda militar e ameaça congelar a ajuda econômica.

Um porta-voz do Departamento de Estado disse que a secretária Hillary Clinton deixou claro ao governo interino que é preciso "chegar a um acordo com o presidente Zelaya e seus representantes".

Um assessor parlamentar norte-americano que manteve contato com o governo interino disse que os dirigentes golpistas parecem estar ficando mais pragmáticos. Uma das principais ideias é criar um governo de unidade que inclua Zelaya, Micheletti e o presidente da Suprema Corte.

Zelaya tem pedido a Obama que imponha sanções rígidas contra o governo, o que no entanto poderia afetar gravemente a economia hondurenha, que depende das exportações de café e produtos têxteis, além das remessas de emigrantes.

Em 2008, a ajuda internacional representou 10 por cento do orçamento do governo, e neste ano deve chegar a 20 por cento, segundo o analista Heather Berkman, da consultoria Eurasia Group. A estimativa para este ano é de uma contração de 2 por cento do PIB.

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