Governo interino de Honduras diz estar disposto a antecipar eleições

TEGUCIGALPA - O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta quinta-feira que estaria de acordo em adiantar as eleições presidenciais como uma eventual saída para a crise política no país, após o golpe que derrubou o presidente, Manuel Zelaya, no domingo.

Redação com agências internacionais |


Reuters
Soldado observa protesto de apoiadores de Zelaya na capital de Honduras

Soldado observa protesto pró-Zelaya na capital de Honduras

Ao ser perguntado se estaria disposto a adiantar o pleito, marcado para 29 de novembro, Micheletti respondeu: "totalmente de acordo, sempre dentro da lei, não tenho nenhuma objeção se esta for uma maneira de solucionar estes problemas".

Micheletti disse a jornalistas que concordaria em realizar um referendo sobre o retorno de Zelaya ao poder, embora tenha esclarecido que isto não seria feito neste momento "extremamente difícil".

Na sexta-feira, o chefe da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, viajará para a capital hondurenha para reunir-se com o governo interino de Micheletti.

Em entrevista coletiva no Panamá, Zelaya afirmou que o objetivo de Insulza é pressionar o novo líder. "Ele vai informar do ultimato, não vai negociar absolutamente nada", disse o presidente deposto.

Na quarta-feira, o organismo internacional ameaçou suspender o país da instituição se Zelaya, destituído no domingo, não voltar ao poder em 72 horas. Micheletti disse que o país rejeita o ultimato.

Honduras vive uma semana de incerteza política desde domingo, quando o golpe de Estado ocorreu. Desde então, diversas manifestações, a favor e contra Zelaya, ocorrem no país.

A popularidade do presidente deposto caiu para perto de 30% nas pesquisas nos últimos meses depois que ele pressionou por um referendo para permitir a reeleição do presidente. Honduras tem 7 milhões de habitantes e é um país pobre, exportador de café e têxteis.

Desde sua destituição, Zelaya diz que planeja o retorno a Honduras como presidente, mas somente para cumprir o resto do mandato, que termina em 2010. O governo interino diz que ele será preso se tentar retornar ao país.

O Congresso hondurenho aprovou um decreto para reprimir a oposição durante o toque de recolher noturno imposto depois do golpe. O decreto permite que as forças de segurança prendam suspeitos por mais de 24 horas sem acusação e formaliza a proibição do direito de livre reunião à noite.

(Com informações da Reuters e da BBC)

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