Governo interino de Honduras corta relações com Venezuela

TEGUCIGALPA - O governo interino de Honduras determinou, nesta terça-feira, a expulsão de todos os diplomatas da Venezuela que estão no país e acusou o presidente Hugo Chávez de interferir em assuntos internos. A vice-chanceler interina, Martha Lorena Alvarado, disse que o governo pediu a saída do corpo diplomático venezuelano em um prazo de 72 horas. Em resposta, Uriel Vargas, encarregado de negócios venezuelano, na capital de Honduras, declarou que os diplomatas não sairão do país, pois a ordem foi ditada por um governo golpista.

Redação com agências internacionais |


O encarregado afirmou que a Venezuela e os demais países não reconhecem o governo interino de Honduras. "Não reconhecemos o governo de Roberto Micheletti. É um governo apoiado em baionetas", disse Vargas a jornalistas na porta da embaixada venezuelana em Tegucigalpa.

Ao ser indagado sobre se não temia ser expulso à força, Vargas respondeu: "Seria o que faltava a esse governo golpista, violar todas e cada uma das convenções internacionais" sobre diplomacia.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, reagiu à essa medida, pronunciando que o governo e a oposição da Venezuela abram um diálogo para suavizar o confronto político que vive o país sul-americano.

O prefeito de Caracas e dois governadores da oposição se reuniram com Insulza na sede do órgão em Washington, em um encontro no qual adiantaram que buscavam "demonstrar violações ao sistema democrático" por parte do governo do presidente Hugo Chávez.

"A OEA não é um poder supremo, é um organismo que respeita a não-intervenção e que promove a democracia. O que nós fazemos frente a todos estes problemas e dificuldades é dizer: por favor, por que não conversam? Por que não chegam a acordos?", disse Insulza após o encontro.

O secretário disse que a OEA não pode impor sanções ou realizar julgamentos diretos a nenhum governo por conta própria e que suas competências se limitam a tentar estabelecer pontes entre as partes em conflito.

"Estamos transitando perigosamente de uma época em que a gente dizia que a OEA não fazia nada, a um momento em que pensam que a OEA pode fazer tudo. Não, não podemos alterar os planos dos governos e parlamentos nacionais", disse Insulza.

Os governantes regionais da Venezuela asseguram que Chávez viola a Constituição e a Carta Democrática Interamericana ao desrespeitar o voto popular que os elegeu em novembro, ao tirar deles competências nas áreas de saúde, educação, esporte e segurança.


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