Nova Délhi, 26 dez (EFE).- O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, reuniu-se hoje com a cúpula militar do país para revisar a situação de segurança e supervisionar o grau de preparação do Exército diante do aumento da tensão com o Paquistão.

"Os três máximos chefes militares informaram ao primeiro-ministro sobre a situação de segurança e o grau de preparação das Forças Armadas", disse uma fonte do Ministério da Defesa, citada pela agência de notícias "Ians".

Singh teve um encontro em sua residência em Nova Délhi com os chefes do Exército, Deepak Kapoor, da Marinha, Sureesh Mehta, e das Forças Aéreas, Fali H. Major.

Apesar de a reunião ter coincidido com rumores sobre o movimento de tropas paquistanesas em sua fronteira com a Índia, outra fonte da Defesa, citada pela agência "PTI", afirmou que a reunião de hoje deve se emoldurar nos "freqüentes" encontros que Singh realizou com os chefes militares desde os ataques de 26 de novembro a Mumbai.

Além disso, o Ministério de Assuntos Exteriores indiano divulgou comunicado no qual avisa a seus cidadãos que "não seria seguro para eles viajar ou permanecer no Paquistão".

A nota faz referência à explosão no último dia 24 de um carro-bomba na cidade paquistanesa de Lahore, após a qual alguns meios de comunicação do país vizinho asseguraram que vários cidadãos indianos foram detidos por seu suposto envolvimento no ataque.

O ministério assegurou que essas informações são "obra de outras agências no Paquistão que operam fora da lei e do controle civil".

Em declarações à imprensa, o ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, assegurou que há provas suficientes de que os responsáveis pelo massacre de Mumbai são paquistaneses.

"Pediria a nossos amigos no Paquistão que, em vez de distrair a atenção do assunto real, se concentrassem em como lutar contra os terroristas e levar à Justiça os responsáveis pelo ataque de Mumbai", disse Mukherjee, segundo a agência "Ians".

"A questão não é criar uma histeria bélica", acrescentou.

O chefe da diplomacia indiana fez as declarações na saída de uma reunião com o ministro de Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Saud al-Faiçal, em Nova Délhi.

Mukherjee explicou que no encontro os dois coincidiram em dizer que "o terrorismo global tem de ser tratado mediante uma ação conjunta de todos os países".

"Isso não é um assunto entre Índia e Paquistão, mas um problema global", disse.

"O terrorismo é um câncer, temos que acabar com ele", afirmou por sua vez Faiçal, que propôs uma investigação da ONU sobre os ataques contra o centro financeiro da Índia.

Nova Délhi buscou o apoio dos líderes das potências que visitaram a capital indiana no último mês, entre eles o da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown.

A Índia atribui o massacre ao grupo Lashkar-e-Toiba (LeT), que luta pela anexação da Caxemira indiana ao Paquistão, e exigiu à potência vizinha que desmantele sua infra-estrutura em solo paquistanês.

A imprensa indiana divulgou nos últimos dias um relatório de um grupo de estudos geopolíticos segundo o qual a Índia, por meio do Governo americano, deu ao Paquistão um prazo de 30 dias contados a partir do início dos ataques a Mumbai, que terminava hoje, para atuar contra estes grupos. EFE amp/ab/fr

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