Governo indiano organiza gabinete; herdeiro dos Gandhi fica de fora

(acrescenta a distribuição de ministérios) Diego A. Agúndez.

EFE |

Nova Délhi, 28 mai (EFE).- O Governo da Índia ficou composto por 79 membros entre ministros e vice-ministros que fizeram juramento hoje, mas o que ganhou destaque foi a ausência daquele que é tido como herdeiro da família Gandhi e é secretário-geral do Partido do Congresso, o jovem Rahul.

A cerimônia de juramento começou às 11h30 locais (3h de Brasília) no palácio presidencial indiano diante da chefe de Estado do país, Pratibha Patil, da presidente do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e do primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, entre centenas de convidados.

Foram apresentados 14 ministros e 45 vice-ministros, que, após escutar o hino nacional indiano, juraram fidelidade à Constituição e prometeram garantir a soberania e a integridade da Índia.

Singh jurou seu cargo na sexta-feira passada, como parte de um primeiro núcleo de 19 ministros, à espera de chegar a um acordo com seus parceiros de coalizão a respeito da composição definitiva do Governo e da distribuição de pastas.

Com o acordo, Singh, que está em seu segundo mandato, liderará um Governo de apenas nove mulheres e uma alta média de idade, próxima aos 62 anos. Por outro lado, se destaca a presença de membros de distintas minorias religiosas, étnicas, regionais e de casta.

O novo Conselho de Ministros é uma "mistura de experiência e energia juvenil", disse o primeiro-ministro após a cerimônia, segundo a agência indiana "PTI".

Rahul Gandhi, o filho de 38 anos de Sonia e do falecido ex-primeiro-ministro falecido Rajiv Gandhi, não ocupará nenhum cargo no Governo de Singh. Ele preferiu continuar se dedicando a fortalecer o Partido do Congresso fora do Executivo, segundo o próprio reconheceu hoje à imprensa.

Seu lugar será ocupado, como vice-ministro, por alguns dos jovens com maior projeção na legenda, como Jyotiraditya Scindia, na pasta de Comércio, Jitin Prasada (Petróleo) ou Sachin Pilot (Informação), todos eles com menos de 40 anos e igualmente herdeiros das dinastias que controlam o Congresso.

No final do dia, a aliança governante divulgou a distribuição final de pastas. Houve certa surpresa com a nomeação do líder caxemiriano Farooq Abdullah, da Conferência Nacional, como ministro de Energias Renováveis.

Uma nova "contratação" do Partido do Congresso, Shashi Tharoor, que ganhou sua cadeira nestas eleições após uma longa carreira na ONU durante a qual chegou a figurar como candidato ao posto de secretário-geral, será o vice-ministro de Assuntos Exteriores, pasta que será dirigida por S. M. Krishna.

Ambika Soni, uma política ligada ao Congresso, deixa o Ministério da Cultura e assume a pasta de Informação, enquanto que Kamal Nath, antigo titular de Comércio e que aspirava a um cargo importante, estará à frente de Transportes e Estradas.

Anand Sharma, por sua vez, deixa de ser o "número dois" de Assuntos Exteriores para dirigir o Ministério do Comércio.

A Aliança Progressista Unida (UPA, em inglês), liderada pelo Partido do Congresso, quase ganhou nas eleições as 272 cadeiras que marcam a maioria absoluta na Câmara Baixa, e ultrapassou esse limite após conseguir o apoio de várias pequenas legendas e candidatos independentes.

O Partido do Congresso apresentará 60 militantes ao Conselho de Ministros, incluindo o próprio Singh, enquanto que os 19 cargos restantes estarão em mãos de diferentes aliados que fazem parte da UPA.

As negociações do Partido do Congresso com seus parceiros para a repartição de cargos chegaram a ficar travadas devido ao partido tâmil Dravida Munnetra Kazhagam (DMK), cujo líder, M. Karunanidhi, chegou a ameaçar dar apenas apoio externo à coalizão de Governo.

Finalmente, Karunanidhi alçou à categoria de ministro seu sobrinho-neto Dayanidhi Maran, seu filho M.A. Azhagiri e o alto funcionário A. Raja, além de obter quatro postos de vice-ministro.

Quase todos os novos ministros optaram por usar roupas tradicionais durante a cerimônia de hoje. Pratibha Patil trajava um sári dourado e celeste e conduziu os juramentos dos representantes em inglês ou híndi, segundo o caso.

A vice-ministra mais jovem, Agatha Sangma, de apenas 28 anos e filha de um veterano dirigente do Partido do Congresso Nacionalista e agora alocada para a pasta de Desenvolvimento Rural, foi a última a jurar seu cargo, antes que o hino indiano encerrasse a cerimônia.

No último dia 23, Singh já havia reservado os Ministérios de Assuntos Exteriores, Defesa, Interior e Finanças a pesos pesados de seu partido. EFE daa-amp/bba

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