Governo indiano decide proteger mulheres abandonadas por maridos no exterior

Shilpi Singh Nova Délhi, 19 set (EFE).- Sonhando com uma vida melhor no exterior, muitas mulheres da Índia se casaram com indianos da diáspora e terminaram como serviçais ou abandonadas a quilômetros de distância de seus familiares.

EFE |

Alarmado pela freqüência destes casos, que uma fonte oficial estimou em 30 mil no ano passado, o Governo indiano tomou medidas para proteger estas mulheres dando-lhes apoio legal e financeiro.

Este mês, o Executivo aprovou uma série de medidas nesse sentido, como o registro obrigatório destes casamentos, a criação de um sistema mais eficaz de identificação e acompanhamento do emigrante - com a menção de seu estado civil no passaporte -, o aceleramento da Justiça e o veto à saíde de homens com causas pendentes na Índia.

Além disso, o Governo pretende melhorar os acordos de assistência legal com os países nos quais se encontram a maioria dos 25 milhões de indianos imigrantes. São eles: Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, "onde o problema da rejeição às mulheres indianas é grave", segundo um comunicado oficial.

"O mais importante é que capacitamos várias organizações indianas no exterior para dar assistência legal às mulheres abandonadas, e, além disso, aprovamos uma ajuda financeira de mil dólares para cada uma", explicou à Agência Efe uma fonte do Governo indiano.

Conforme indicado, os litígios relacionados a esses casamentos são "muito complicados" já que "intervém o direito privado internacional".

Além disso, o Governo elaborou um livro de advertências no qual aconselha às famílias verificar os antecedentes do pretendente de suas filhas, para não serem enganadas sobre sua condição econômica, estado civil ou situação legal.

"O risco maior destes casamentos é que a mulher se encontra isolada, muito longe de casa, em terra estrangeira, com limitações do idioma, sem o apoio de sua família e amigos e sem conhecimento do sistema policial e legal", alerta o documento.

Na Índia, onde a maioria dos casamentos é arranjada pelos pais, há uma obsessão para que as filhas encontrem um "bom partido" que viva em países desenvolvidos, onde, esperam, possa ter uma vida melhor.

Isso permite aos pretendentes exigir que o dote, uma prática comum na Índia, chegue a milhões de rúpias.

"Em sua obsessão por enviar suas filhas para o exterior, os pais se preparam (para pagar) sem investigar os antecedentes do homem, e muitas vezes são enganados", disse à Efe um morador de Nova Délhi que tem uma parente que terminou casada com um expatriado procurado pela Justiça americana.

Singh conta que os indianos imigrantes preferem esposas de seu país de origem porque estas são mais submissas e, no fim, são melhores serviçais e cuidam da casa e dos sogros, embora, muitas vezes, também sejam vítimas de maus-tratos.

O porta-voz do Ministério do Desenvolvimento da Mulher e da Criança, N.C. Joshi, concorda e condena a "atitude egoísta" dos pais que "obrigam seus filhos a trazerem para casa uma nora que compartilhe de sua cultura e cuide deles na velhice", algo que as mulheres independentes de outros países não costumam fazer.

"Os homens se casam sob esta pressão e depois as abandonam", explica.

Inclusive, há registros de casos de indianas recém-casadas que chegam ao país de seu marido e descobrem que ele já tem outra esposa ou amante.

"Muitas vezes, eles as levam, tiram o passaporte delas ou não renovam seus vistos. Isso torna ilegal a estada dessas esposas no exterior", acrescenta Joshi.

E, como os casamentos dessas mulheres não são registrados, elas sequer podem apresentar uma prova que as ampare.

Também há casos de homens que desaparecem com o dote e não voltam, como prometeram, para pegar suas esposas. Há até "férias matrimoniais", como as que fazia Gurdev Singh, um indiano que vivia na Alemanha com uma esposa local e que chegou a se casar com três indianas e a desfrutar da lua-de-mel e dos dotes que recebeu.

Segundo informou uma fonte policial à agência "Ians", Singh foi detido na última sexta-feira, quando a Polícia, alertada por sua quarta esposa, Rajinder Kaur, entrou na cerimônia de seu quinto casamento em Punjab (norte). As outras duas esposas indianas sequer denunciaram o vigarista. EFE ss/rb/sc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG